quarta-feira, 15 de julho de 2015

Literatura Brasileira - Arcadismo

Literatura Brasileira - Arcadismo

Arcadismo

O Arcadismo iniciou-se em 1768 com a publicação em Portugal, de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, e com a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica. Esse período encerrou-se com a chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, quando se iniciou o período de transição para o Romantismo.
Manifestações Artísticas 
O Neoclassicismo (o novo Classicismo, o retorno aos ideais renascentistas), baseado na visão científica e nas ideias racionalistas do Iluminismo, foi uma reação ao estilo extravagante do Barroco e representou um retorno à simplicidade, sobriedade, simetria e equilíbrio clássicos, que se refletiram na arquitetura e na escultura.
A pintura inspirou-se em temas históricos e na mitologia clássica.
No Brasil, curiosamente, embora fosse século XVIIII e a produção artística da época estivesse ligada aos ideais iluministas, assistiu-se ao desabrochar exuberante do Barroco, também chamado de Barroco brasileiro ou ainda Barroco mineiro. Em Ouro Preto (antiga Vila Rica) predominam esculturas em madeira e pedra-sabão do Aleijadinho e pintura de Manuel da Costa Ataíde. Na Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, destacam-se a arquitetura e a ornamentação de algumas igrejas. Lobo de Mesquita e o padre José Maurício foram os principais compositores de música barroca sacra.
Literatura
O Arcadismo insurgiu-se contra os exageros do Barroco, produzindo uma poesia que retornou à simplicidade e equilíbrio clássicos e renascentistas. No Brasil, ocorreu um entrosamento acentuado entre vida intelectual e preocupações político-sociais: o selvagem foi valorizado, houve uma visão crítica da política colonial e um crescente nativismo. Pela primeira vez, desde o descobrimento, o momento histórico permitiu a existência de uma relação sistemática entre escritor, obra e público, preparando o campo para Era Nacional de nossa literatura.
Três foram os princípios básicos do Arcadismo:
a) fugere urbem (fugir da cidade): em busca do locus amoenus (lugar ameno, aprazível): o poeta volta-se para a natureza, para o campo à procura de uma vida simples, bucólica, longe dos centros urbanos) todos os nossos poetas árcades, foram urbanos, intelectuais e burgueses, daí falar-se em fingimento poético que se concretiza no uso de pseudônimos pastoris);   
b) carpe diem (aproveita o dia): máxima do poeta latino Horácio com a qual o poeta convida a aproveitar o momento presente (este também foi um dos temas preferidos do Barroco);
c) inutilia truncat (cortam-se as inutilidades): os árcades queriam cortar todos os excessos barrocos, por isso usavam palavras simples, períodos curtos e mais comparações que metáforas.

Produção Literária
Cláudio Manuel da Costa  (Glauceste Satúrnio) (1729-1789)
Costa (Cláudio Manuel da) ▬ Poeta e advogado brasileiro, nasceu na cidade de Mariana, no estado de Minas Gerais, em 1729. Estudou em Vila Rica, atual Ouro Preto, a seguir no Rio de Janeiro com os jesuítas e se formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Detido em 25 de maio de 1789, por sua participação na Conjuração Mineira, foi recolhido preso à Casa dos Contos, em Vila Rica, onde, a 2 de Julho desse mesmo ano, se suicidou.
Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu) (1744-1810)
Gonzaga (Tomás Antônio) ▬ Nasceu na cidade do Porto, em Portugal, no ano de 1744, de pai brasileiro e mãe portuguesa, com os quais veio para o Brasil, em 1751. Estudou na Bahia com os jesuítas e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, no ano de 1768. Com a idade de quarenta anos foi nomeado ouvidor de Vila Rica, hoje Ouro Preto, no estado de Minas Gerais. Em Vila Rica conheceu Maria Doroteia de Seixas Brandão, de quem se fez noivo. Maria Doroteia passou a ser para Gonzaga, a Marília, amada do pastor Dirceu. Chegando ao conhecimento das autoridades que fazia parte da Conjuração Mineira, Gonzaga foi preso e remetido para o Rio de Janeiro, onde permaneceu encarcerado até 1792. A 23 de maio desse ano, foi degredado para a África, para degredado perpétuo. Faleceu o poeta em Moçambique no ano de 1810.
Santa Rita Durão (1722-1784)
Durão (Frei de Santa Rita) ▬ Nasceu em Minas Gerais no ano de 1722. Formado em Teologia pela Universidade de Coimbra. Viveu na Europa desde criança. Em 1781 fez publicar um poema épico denominado "Caramuru". O poema, em dez cantos, tem o mérito de ser o primeiro em assunto brasileiro publicado e nele Frei Durão relata as aventuras do náufrago português Diogo Álvares Correia, o Caramuru. Obras: Sermões, Caramuru, Epítome. Frei Santa Rita Durão faleceu em 1784.
Basílio da Gama (Termindo Sipílio) (1740-1795)
Gama (Basílio da) ▬ Nasceu em São José do Rio das Mortes, hoje cidade de Tiradentes, no estado de Minas Gerais, no ano de 1740. Foi um poeta revolucionário na técnica do poema. Abandonou os preceitos clássicos camonianos. Obras: "Epitalâmio e alguns sonetos"; escreveu o poema épico "Uruguai", composição laudatória em cinco cantos. O assunto desse poema é a guerra que Portugal, ao lado da Espanha, moveu aos índios das Missões rebelados contra o tratado de 1750, que os transferia do domínio dos padres jesuítas para o dos portugueses. É considerada uma obra-prima e precursora do romantismo.
Alvarenga Peixoto (1744-1793)
Peixoto (José Inácio de Alvarenga) ▬ Poeta brasileiro da escola mineira. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1744. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, no ano de 1767. Em 1776, nomeado ouvidor de São João Del Rei, Minas Gerais, regressou ao Brasil, aqui casando com a poetisa Bárbara Heliodora. Era amigo de Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. Tomado de entusiasmo pela Conjuração Mineira, coube-lhe a escolha da divisa que seria posta na bandeira do estado de Minas Gerais atual, "Libertas quae sera tamen", descoberta a conjuração, foi o poeta recolhido à prisão de Vila Rica e daí removido para o Rio de Janeiro, onde, julgado e condenado à morte, teve comutada a sentença para o degredo perpétuo em Angola, na África. Alvarenga Peixoto deixou um drama em versos "Enéias no Lácio, e outras. Sua obra, coligida por Joaquim de Souza e Silva, foi publicada em Paris, no ano de 1765. Obras: Sonetos, Liras, Odes. Alvarenga Peixoto morreu no exílio, no ano de 1793.
Silva Alvarenga (1749-1814)
Alvarenga (Manuel Inácio da Silva) ▬ Nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto, em Minas Gerais, no ano de 1749. Em Coimbra, para onde seguiu em 1771, formou-se em "Cânones". Quando estudante compôs um poema "O Desertor das Letras". Participou de diversas atividades literárias - peças de teatro, poesias, crítica, sempre com sucesso. Representante do grupo mineiro, foi considerado um dos mais suaves e festejados poetas do seu tempo. Faleceu no Rio de Janeiro, a 1º de Novembro de 1814.

Período de Transição
No início do século XIX, Portugal achava-se numa situação difícil: optar entre a dependência econômica inglesa e o poderio militar francês. Afugentada pelas tropas de Napoleão que invadiram Portugal no início do século XIX, a família real portuguesa chegou ao Brasil em 22 de Janeiro de 1808.
O Brasil, subitamente, elevado da condição de Colônia à Reino Unido de Portugal e Algarve e o Rio de Janeiro transformou-se em sede política, econômica e cultural da Monarquia.
Estava próxima nossa emancipação política, apressada pelas reformas de D. João VI. Ele remodelou a cidade do Rio de Janeiro e o Brasil começou a ganhar os contornos de uma nação.
A abertura dos portos brasileiros as "nações amigas" permitiu que circulassem novas ideias, gostos e hábitos. Fundaram-se escolas de ensino superior e academias, liberou-se a imprensa. Contratada por D. João VI, chegou ao Brasil, em 1816, a Missão Francesa com a tarefa de ensinar artes e ofícios aos brasileiros. O arquiteto Montigny, os escultores Auguste-Marie Taunay e Marc Ferrez, os pintores Nicolas Antoine Taunay e Jean-Baptiste Debret introduziram no Brasil o Neoclassicismo e inauguraram o gosto pelos temas históricos e nacionais (em oposição ao Barroco das igrejas). Com eles o Brasil ganhou imagem própria, distanciando-se da matriz. Em 1821, D. João VI voltou para Portugal e aqui ficou o príncipe regente D. Pedro, que proclamou nossa independência em 1822.
A literatura desse período, chamado também de Pré-Romantismo, caracterizou-se pela tentativa de abolir os modelos clássicos. No entanto, numa época em que ocorreram mudanças tão intensas em todos os setores da sociedade, floresceu uma poesia de segunda linha, uma poesia retórica, cujo objetivo era ensinar, persuadir, moralizar: o poema sacro, em que se destacaram Elói Ottoni, Sousa Castro e Américo Elísio (pseudônimo de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência).
Desenvolveram-se, também, nesse período os gêneros públicos: sermão, discurso, artigo e ensaio de jornal. Nesse último campo destacaram-se Hipólito da Costa Pereira, fundador do jornal Correio Brasiliense, e Evaristo da Veiga. Ambos foram indispensáveis para a formação e expansão de um público leitor no Brasil.
É na oratória, porém, que se pronuncia o Romantismo. Frei Monte Alverne, em seus sermões, funde à fé, ao sentimento religioso, as "harmonias da natureza" e as "glórias da pátria".
O Arcadismo no Brasil
Contexto Histórico-Social
A publicação de Obras Poéticas (1768), de Cláudio Manuel da Costa, constitui o marco inicial do Arcadismo no Brasil. Seu final é assinado pela publicação de Suspiros poéticos e saudades (1836), de Gonçalves de Magalhães, que introduz o Romantismo.
A descoberta de ouro e sua intensa exploração afetaram a organização social e econômica da Colônia. Com a urbanização crescente, surgiram tipos de trabalho não-escravo, exercidos por profissionais liberais, artesãos e burocratas.
O pensamento liberal dominante na Europa chegou ao Brasil, notadamente junto ao grupo de intelectuais mineiros de Vila Rica (atual Ouro Preto).
Fizeram parte desse grupo:
Tomás Antônio Gonzaga
Cláudio Manuel da Costa
Alvarenga Peixoto
Basílio da Gama
Santa Rita Durão
Silva Alvarenga
Podemos dividir os árcades brasileiros em dois grupos: os líricos e os épicos.
Entre os líricos, sobressaem Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa; entre os épicos, destacam-se Basílio da Gama e Santa Rita Durão.
Poeta Lírico
Tomás Antônio Gonzaga
Tomás Antônio Gonzaga nasceu no Porto, em 1744. Veio para o Brasil com oito anos e foi matriculado no colégio dos jesuítas, na Bahia. Voltou mais tarde a Portugal, onde se formou em Direito, pela Universidade de Coimbra. De retorno ao Brasil, apaixonou-se por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. Maria Dorotéia é Marília e ele, Tomás Antônio Gonzaga, Dirceu. Por ter se participado da Inconfidência Mineira (1789), foi preso e condenado ao exílio em Moçambique, onde se casou com uma viúva rica e analfabeta. Famoso e rico, faleceu em 1810.
Obras: Liras e Cartas Chilenas.
Observe o bucolismo e o lirismo e a simplicidade da linguagem das estrofes no poema extraído da obra Liras.

Acaso são estes
os sítios famosos,
aonde passava
os anos gostosos?
São estes os prados,
Aonde brincava,
Enquanto pastava,
O manso rebanho
Que Alceu me deixou?
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.

Daquele penhasco
Um rio caía;
Ao som do sussuro
Que vezes dormia!
Agora não cobrem
Espumas nevadas
As pedras quebradas:
Parece que o rio
O curso voltou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.
aqui um regato
corria sereno,
por margens cobertas
de flores e feno;
à esquerda se erguia
um bosque fechado;
e o tempo apressado,
que nada respeita,
já tudo mudou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
o mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou.

Arcadismo (1768-1836)
No século XVIII, chamado de "século das luzes", houve uma busca pela clareza, o equilíbrio e o uso maior da Razão. A ciência e a racionalidade eram responsáveis pela explicação do mundo.
Uma das correntes de pensamento que mais se destacou foi o Iluminismo, pensamento filosófico que se espalhou pela Inglaterra, França e Alemanha. Consiste na crença da razão como a fonte de todo o conhecimento válido. A publicação mais importante do Iluminismo foi a Enciclopédia, organizada por D'Alembert, Diderot e Voltaire, para condensar o conhecimento humano em um único lugar.
Dessa forma, o estilo Barroco vai se tornando ultrapassado, por representar o conflito, o desiquilíbrio. Buscava-se um estilo mais claro, mais simples, de acordo com as necessidades do homem da época, um estilo mais racional. Eis que surge o Arcadismo, para se rebater os excessos formais do Barroco. O nome Arcádia (de onde vem a palavra Arcadismo), segundo a lenda, dominada pelo Deus pã, representava uma província grega em que os pastores viviam de modo simples, se divertiam, cantavam, dançavam, fazendo disputas poéticas, celebrando o amor e o prazer. A primeira Arcádia surgiu em Roma, Itália, por volta de 1690, chegando a nosso país um pouco mais tarde.
O primeiro livro Árcade a ser publicado no Brasil foi Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, em 1768.
No estilo árcade, imitava-se o estilo renascentista, por ser considerado o modelo de perfeição, e ao mesmo tempo, valorizando a razão. Há também o bucolismo (valorização do campo, da natureza) do pastoralismo (busca da vida pastoril, simples) e a presença da mitologia. É muito comum nesse período o uso de pequenas máximas latinas que serviam de parâmetros para a arte perfeita a qual se almejava fugere urbem (fugir da cidade), inutilia truncat (cortar o inútil), carpe diem (colha o dia), Locus amoenus (lugar ameno), Aurea mediocritas (equilíbrio em ouro).
Em nosso pais, o Arcadismo (também chamado de Neoclassicismo) teve um aspecto singular, pois teve um papel importante de críticas ao governo durante a Inconfidência Mineira. Vários autores árcades foram inconfidentes e exilados ou mortos por isso.
Autores que mais se destacaram nesse período foram Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama e Santa Rita Durão. 


 Cláudio Manuel da Costa, poeta que fundou o Arcadismo no Brasil , em 1768.





Referências→ Escola Viva, Programa de Pesquisa e Apoio Escolar, O Tesouro do Estudante, Multimídia Multicolor 2003, Nível Fundamental e Médio, Ensino Global
Sistema de Ensino IBEP. Apostila Língua Portuguesa. Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura / Marta Pontes. - São Paulo: DCL, 2010.  


    

sábado, 4 de julho de 2015

Literatura Portuguesa - Arcadismo

Literatura Portuguesa - Arcadismo

Arcadismo
Arcadismo, Neoclassicismo ou Setecentismo foi um movimento literário iniciado em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, e encerrado em 1825 com a publicação do poema Camões de Almeida Garrett. Surgido numa época de modificações político-econômico-sociais radicais, o Arcadismo insurgiu-se contra os exageros barrocos e propôs uma volta aos ideais clássicos de arte e vida. Em Portugal foi um período marcado por uma intensa atividade crítica e doutrinária em prosa e no qual, literariamente, floresceu tão-somente a poesia.

Manifestações Artísticas
A preocupação em recuperar a arte clássica, recém reveladas pelas escavações de Herculano e Pompéia, reflete-se na literatura e na escultura: simetria, simplicidade, equilíbrio e sobriedade, qualidades que se oponham frontalmente ao Barroco. A estátua Ebe, do escultor Canova, ilustra esse retorno à Antiguidade clássica.
Embora a pintura não imite os clássicos (mesmo porque não havia muitas referências da Antiguidade), todo tema deveria inspirar-se na história e na mitologia clássicas. O Juramento dos Horácios, de David, inaugura o Neoclassicismo.

Literatura   
Em 1756, Antônio Diniz da Cruz e Silva fundou a Arcádia Lusitana ou Ulissiponense, que definiu o Arcadismo como escola literária. Os sócios da Arcádia deviam adotar pseudônimos pastoris e tinham por divisa o dístico Inutilia Truncat (cortar o inútil), isto é, os exageros, o rebuscamento e a extravagância barrocos deveriam ser cortados para a literatura voltar ao equilíbrio dos clássicos.
Inspirados em Horácio, procuravam nas suas poesias seguir alguns princípios:
a) fugere urbem (fugir da cidade): influenciados pela teoria do bom selvagem de Russeau, os árcades voltavam-se para a natureza, vista como lugar de perfeição, para aí levar uma vida simples, bucólica e pastoril;
b) carpe diem (aproveite o dia): postura como no Arcadismo, que consiste em aproveitar ao máximo o momento presente;
c) Aurea Mediócritas (áurea mediocridade): exaltação da simplicidade, do equilíbrio conseguido em contato com a natureza;
As características fundamentais do Arcadismo são:
- volta aos modelos clássicos, com a retomada da mitologia como elemento estético;
- simplicidade como forma de reação aos exageros da linguagem barroca;
- poesia bucólica, pastoril;
- fingimento poético, uso de pseudônimos pastoris.

Alguns Poetas:

Bocage (1765-1805)
Principal autor do Arcadismo, Manuel Maria Barbosa du Bocage participou da Nova Arcádia com o pseudônimo árcade de Elmano Sadino (Elmano é o anagrama quase perfeito de Manuel e Sadino refere-se ao rio Sado que passa pela sua cidade natal).
Bocage levou uma vida agitada, boêmia e infeliz, muito semelhante à de Camões, que considerava seu mestre.
Existem dois Bocages, o satírico e o lírico. Sua obra satírica, às vezes grosseiramente obscena e erótica, critica a grandeza decadente, o clero e seus contemporâneos, mas é a parte menos importante de sua produção. A mais importante é a lírica, em que se percebem duas fases.

Antônio Dinis da Cruz e Silva (1731-1799)
Fundador da Arcádia Lusitana, adotou o pseudônimo de Elpino Nonacriense. De sua obra destaca-se o poema herói-cômico O Hissope em que ridiculariza a mentalidade escolástica, o verso gongórico e a sociedade nobre e clerical.

Nicolau Tolentino (1740-1811)
Famoso por sua obra satírica, Tolentino analisa com humor fino a sociedade burguesa de seu tempo. Seu humor, no entanto, não tem uma imensa moralística, apenas constata o ridículo das situações e das pessoas que nelas atuam.

Padre José Agostinho de Macedo (1734-1819)
Seu pseudônimo arcádico era Filinto Elísio. Seguiu à risca os postulados neoclássicos e refletiu claramente a influência do iluminismo quando fez a divulgação da física de Newton em seu poema épico O Oriente, pretendeu corrigir Camões, parafraseando Os Lusíadas mas sem usar a mitologia.

Marquesa de Alorna (1750-1839)
Por suas viagens pela França, Alemanha, Áustria e Inglaterra, Leonor de Almeida, a marquesa de Alorna, foi uma das divulgadoras do Romantismo em Portugal. Sob o pseudônimo de Alcipe, escreveu poemas cuja temática (a morte, a noite, o sofrimento) antecipa esse movimento literário.

Arcadismo


•Busca da simplicidade = razão.
Imitação da natureza = culto ao homem natural.
Equilíbrio, bucolismo (integração serena entre indivíduo e paisagem).
Valorização dos ideais Clássicos.
Adoção de pseudônimos.
•Oposição à linguagem barroca.


 Bocage, principal poeta do Arcadismo.

Arcadismo (1768-1836)
O Arcadismo em Portugal
Contexto Histórico-Social
O Iluminismo, um movimento de renovação cultural surgido inicialmente na França, entre os intelectuais ligados a publicação da Enciclopédia, na segunda metade do século XVIII, repercutiu em Portugal pela ação do Marquês de Pombal, ministro de D. José I. Com a expulsão dos Jesuítas de Portugal em 1759, o ensino passou a ser leigo, criando-se uma atmosfera de racionalismo e progresso.
Dentro desse contexto, surge o Arcadismo como um movimento literário, que se propunha a combater os exageros de rebuscamento barroco.
O nome Arcadismo provém de Arcádia, região lendária da Grécia, onde os pastores e os poetas viviam num ambiente bucólico, tranquilo, em paz com a natureza, com a vida e com o amor.

Características do Arcadismo
1. Quanto à escolha dos temas:
• a natureza, o campo;
• vida simples, em contato com a natureza;
• O resgate do Classicismo greco-romano.
2. Quanto a linguagem e ao estilo:
• linguagem simples, natural, clara, direta;
• ordem direta das palavras;
• invocação de musas inspiradoras;
• volta aos clássicos;
• imitação do estilo clássico.

Os principais poetas do Arcadismo português são: Antônio Dinis, Correia Garção, Reis Quita, Padre Agostinho de Macedo, Caldas Barbosa, Marquesa de Alorna, Bocage.
Bocage
O principal representante do Arcadismo em Portugal foi Manuel Barbosa Maria du Bocage (1765-1805), cujo pseudônimo era Elmano Sadino.
Leia o poema e observe as suas características árcades:

Olha, Marília, As Flautas dos Pastores
Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta e planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas e abelhinha pára,
Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas, ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
                           Mais tristeza que a morte me causara.                  Bocage


Arcadismo (1756-1825)
Após um período de decadência, Portugal resgata, em 1640, a sua independência e, logo, quer restaurar a sua política, sua economia e o orgulho de sua nação.
A grande transformação da sociedade portuguesa veio pelas mãos de Sebastião José de Carvalho, o marquês de Pombal, que, influenciado pelos ideais iluministas, reconstruiu Lisboa após o terremoto de 1755, baniu o ensino religioso das escolas, expulsou os jesuítas e trouxe de volta intelectuais exilados pela inquisição. Todas essas mudanças contribuíram para o avanço do pensamento científico e cultural português.
O Arcadismo inicia-se em Portugal em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, (também conhecida como Arcádia Ulissiponense, em homenagem ao herói grego Ulisses), a qual ocupava-se em discutir o pensamento grego e discutir a estética neoclassicista. A Arcádia pedia que seus membros adotassem um nome de pastores celebrados pela cultura grega, obedecessem às regras clássicas, declamassem poemas e apresentassem seminários sobre a estética neoclássica. Pelo excesso de regras, a liberdade dos criadores da Arcádia Lusitana estava ficando reprimida, fator que motivou o seu fim e acabou surgindo a Nova Arcádia, de onde apareceu Bocage, o poeta árcade português mais importante.
Fugindo dos conflitos religiosos o Arcadismo opõe-se ao Barroco, por ter uma postura mais racional, já que há uma forte influência dos ideais iluministas. Há também um resgate de temas e personagens do imaginário pagão, além da utilização de vários lemas latinos como locus amuenus (lugar ameno), unutilia truncat (cortar o inútil), entre outros.
Além de Bocage, no Arcadismo, destaca-se o pensador Luís Antônio Verney, os poetas Nicolau Tolentino, Filinto Elísio e Correia Garção. 

Referências→ Escola Viva. Programa de Pesquisa e Apoio Escolar. O Tesouro do Estudante. Multimídia Multicolor 2003. Nível Fundametal e Médio. Ensino Global.
Literaturas de Língua Portuguesa - Trovadorismo ao Modernismo.
Sistema de Ensino IBEP. Apostila Língua Portuguesa. Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura / Marta Pontes - São Paulo: DCL, 2010.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Literatura Brasileira - Barroco

Literatura Brasileira - Barroco

Barroco
As manifestações literárias do Barroco iniciaram-se com a publicação de Prosopopeia, de Bento Teixeira, em 1601, e encerraram-se, teórica e oficialmente, em 1768, com a fundação da Arcádia Ultramarina e a publicação de Obras Poéticas de Cláudio Manuel da Costa. Em 1724, no entanto, a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos registrou o início de uma consciência grupal com a socialização do fenômeno literário, o que favorece o aparecimento do Arcadismo. No Barroco destacam-se Gregório de Matos Guerra e o Padre Antônio Vieira.

Manifestações Artísticas
O Barroco europeu, expressão artística da crise espiritual vivida pelo homem do século XVII, dividido entre a racionalidade e o antropocentrismo do Renascimento e a volta do teocentrismo e a espiritualidade medievais, caracterizou-se pela ostentação, cujo objetivo era impressionar e influenciar o receptor: a fé deveria ser atingida mais pelos sentidos e pela emoção do que pelo raciocínio. A arquitetura, a escultura e a pintura, frequentemente misturadas, perseguem esse fim usando de recursos como:
a) assimetria - o estilo é retorcido, opondo-se à assimetria e equilíbrio do Renascimento;
b) impressão de movimento - opondo-se à estaticidade clássica, são escolhidas as cenas de maior intensidade dramática (rostos contraídos pelo sofrimento ou pelo êxtase) para serem representadas pela escultura ou na pintura;
c) técnica do claro-escuro - na pintura, dá a sensação de profundidade.

No Brasil, embora o Barroco englobe as primeiras manifestações de arquitetura jesuítica do século XVI, sua forma mais exuberante, nas artes plásticas e arquitetura, só ocorreu no século XVIII, com as igrejas baianas e mineiras, com as estruturas de Aleijadinho, com as pinturas de Ataíde, com a música de Lobo Mesquita e José Maurício Nunes Garcia. O Barroco literário não coincidiu, portanto, com as outras manifestações culturais.

Produção Literária
O Barroco brasileiro foi fruto de manifestações isoladas visto que a Colônia ainda não dispunha de um grupo intercomunicamente de escritores, nem de um público leitor influente, nem de vida cultural intensa, situação agravada pela proibição da imprensa e pela falta de liberdade de expressão.
Reflexo da literatura escrita na Península Ibérica, a produção dessa época também revela a crise do homem do século XVII, dividido entre os valores antropocêntricos do Renascimento e as amarras do pensamento medieval reabilitado pela Contra-Reforma. Essa tensão manifesta-se no confronto pecado/perdão, terreno/celestial, vida/morte, amor platônico/amor carnal, fé/razão, céu/inferno.
Como as outras artes, a literatura empregou uma linguagem adequada à monumentalidade e à ostentação, exagerando no rebuscamento formal ao abusar de:
a) antíteses - que refletem a contradição do homem barroco, seu dualismo.
b) metáforas - que revelam as semelhanças subjetivas que o poeta descobre na realidade e a tentativa de aprendê-la pelos sentidos.
c) hipérboles - que traduzem a pompa, a grandiosidade do Barroco.
d) utilização frequente de interrogações - que revelam certeza e inconstância.
Há duas correntes barrocas em literatura:
a) cultismo - estilo marcado pelo rebuscamento formal que abusa de antíteses, paradoxos, hipérboles, jogos de palavras, ordem inversa. Essa tendência é também chamada de gongorismo, devido à influência do poeta espanhol Luís de Gôngora.
b) conceptismo - estilo desenvolvido sobretudo na prosa, preocupado em expor ideias e conceitos por meio do raciocínio lógico.

Alguns poetas:

Bento Teixeira (1560-1618) 
Com sua obra Prosopopeia, iniciou-se em 1601, o Barroco brasileiro. O poemeto é uma pálida imitação de Os Lusíadas e seu único objetivo era louvar Jorge Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco.

Gregório de Matos Guerra (1633-1696)
Importante poeta do Brasil colonial. Nasceu na Bahia em 20 de Dezembro de 1633. Estudou com os jesuítas e se formou em direito na universidade de Coimbra, em 1661. Sua obra poética permaneceu dispersa e manuscrita até os fins do século XIX. Em 1881 foi editada uma coletânea de suas sátiras, compostas quase sempre de improviso, as quais, não raro, descambam para uma grosseira licenciosidade. É considerado o maior satírico da literatura brasileira, incluindo-se também entre os mais notáveis líricos. Suas "Obras Completas" foram editadas pela Academia Brasileira de Letras - sob a direção de Afrânio Peixoto (1923-1939).

Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711)
Brasileiro, estudou em Coimbra e foi amigo de Gregório de Matos. Publicou Música do Parnaso, uma coletânea de poemas escritos em português, castelhano, italiano e latim. Foi o primeiro poeta brasileiro a editar seus poemas. Dessa obra consta o poema "Ilha da Maré" em que se percebem traços de nativismo.
No período barroco aparecem entre nós as primeiras academias literárias centralizadas na Bahia: em 1724, é fundada a Academia Brasílica dos Esquecidos e, em 1759, a Academia Brasílica dos Renascidos. Elas foram importantes porque, além de intensificarem o sentimento nativista, representam a primeira tentativa de intercomunicabilidade literária (reuniram intelectuais e escritores e estabeleceram uma aproximação cultural entre os principais centros urbanos de então) e de contato com o público. As academias também fizeram um importante trabalho de pesquisa histórica. Sebastião da Rocha Pita, cujo pseudônimo era vago, pertenceu à Brasílica dos Esquecidos e escreveu História da América Portuguesa.  

O Barroco no Brasil (1601-1768)
Nota-se, na arte barroca, certa exuberância, excesso de ornamentos e detalhes, muitas vezes banhados a ouro. Os motivos são geralmente buscados na Bíblia e executados com marcas da influência da cultura mestiça colonial.
Contexto Histórico-Social
O Barroco no Brasil correspondeu à consolidação da aristocracia colonial brasileira, que resultou de uma série de eventos que marcaram a História do Brasil durante o século XVII e a primeira metade do século XVIII:
• As transformações sociais, econômicas e culturais, provocadas pelas invasões francesas e holandesas;
• O apogeu e o declínio da cana-de-açúcar no Nordeste;
• A ação dos bandeirantes e a descoberta do ouro, principalmente na região de Minas Gerais.
Costuma-se assinalar o início do Barroco no Brasil com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira (1601), e o seu final com a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa (1768).
A poesia barroca atravessou três fases no Brasil.
fase: influencia de Camões nos poetas brasileiros. Principal representante: Bento Teixeira, com sua obra Prosopopeia.
2ª fase: começa a surgir uma poesia com características brasileiras.
Destaca-se o grupo brasileiro representado por Gregório de Matos Guerra, Eusébio de Matos, Domingos Barbosa, etc.
3ª fase: caracteriza-se pelo exagero e pelo aparecimento das academias literárias: Academia Brasílica dos Esquecidos, Academia dos Nobres, Academia dos Seletos, etc.
Pertencem a essa fase Manuel Botelho de Oliveira, Frei Manuel de Santa Maria Itaparica, etc.

Interior da igreja de São Francisco, Salvador, Bahia.

Gregório de Matos Guerra
Sem sombra de dúvida, a grande expressão do Barroco no Brasil foi Gregório de Matos Guerra. Nascido na Bahia, em 1633, faleceu no Recife, em 1696. Seus problemas refletem a sociedade brasileira da época.
Escreveu poemas satíricos, líricos e religiosos, mas foi como poeta satírico que granjeou grande fama.
Em suas poesias satíricas, Gregório de Matos critica o brasileiro explorado pelo colonizador, critica o próprio colonizador português, o clero e os costumes da sociedade baiana. Isso lhe valeu o apelido de "boca do inferno".

Observe a seguir, nos poemas de Gregório de Matos, o seu espírito crítico.

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha:
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro!

Em cada porta um bem frequente olheiro
Da vida do vizinho e da vizinha,
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés aos homens nobres;
Posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados:
Todos os que não furtam, muito pobres:
Eis aqui a cidade da Bahia.

O poema satiriza os fofoqueiros, ladrões e agiotas incompetentes. Procure identificá-los nos versos acima.

A Um Comedor Exagerado
Levou um livreiro a dente
De alface todo um canteiro,
E comeu, sendo livreiro
Desencadernadamente.
Porém, eu digo que mente
A quem disso o quer tachar;
Antes é para notar
Que trabalhou como um mouro,
Pois meter folhas no couro
Também é encadernar.

Em suas poesias líricas e religiosas, Gregório de Matos entra em conflito entre viver uma vida mundana e a procura pela fé, que salvaria sua alma.

Buscando A Cristo
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós divinos olhos, eclipsados,
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Pois para perdoar-me estais despertos,
E por não condenar-me estais fechados.

A vós, pregados pés por não deixar-me,
A vós, sangue vertido para ungir-me,
A vós cabeça baixa pra chamar-me;

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

Cabana e vinha: em casa e no trabalho.
Esquadrinha: examina minuciosamente.
Picardia: velhacaria.
Usuras: lucros exagerados.

Barroco (1601-1768)
Escola de origem italiana, o Barroco se inicia no Brasil com a publicação da obra Prosopopeia, de Bento Teixeira, em 1601.
O Barroco retrata bem o homem do período e os seus conflitos, ligados as contradições entre teocentrismo e antropocentrismo. O homem vivia o dualismo entre a fé e a razão, entre obedecer os dogmas da igreja e, ao mesmo tempo, desfrutar ao máximo os prazeres da vida. Há um conflito entre os valores teocêntricos que a Contra-Reforma tentou resgatar e os valores antropocêntricos vindos do Renascimento. Logo, a linguagem barroca refletira as sensações em excesso que o homem gostaria de experimentar e, ao mesmo tempo, as sensações existenciais e dúvidas não correspondidas nem pela fé e nem pela razão. Portanto, há o excesso de antíteses, paradoxos, metáforas, sinestesias, hipérboles e hipérbatos.  
No Barroco, como recurso reflexivo, há o jogo de contrastes entre o claro (representando o céu, a luz, a salvação) e o escuro (representando o medo, o inferno, o pecado). Ainda dentro da possibilidade de reflexão e contradição, os autores se utilizam de dois estilos: conceptismo (raciocínio, jogo de ideias muitas vezes contraditórias) e o cultismo (valorização da forma e abuso de metáforas e outros recursos estilísticos).
Destacam-se os autores Gregório de Matos e o Padre Antônio Vieira (estudado tanto como autor português e brasileiro).



Referências→ Escola Viva, Programa de Pesquisa e Apoio Apoio Escolar. O Tesouro do Estudante. Multimídia Multicolor 2003. Nível Fundamental e Médio. Ensino Global.
Sistema de Ensino IBEP. Apostila Língua Portuguesa. Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura / Marta Pontes - São Paulo: DCL, 2010.
  

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Estilos Literários ou Escolas de Época

Estilos Literários ou Escolas de Época


 Pintura Barroca, Adoração, por Peter Paul Rubens

Cada período da literatura em que existem obras e autores em que apresentam certas afinidades entre si é chamado de escola literária. Quer dizer que, nessas escolas literárias pode haver semelhanças entre as obras de determinados autores quanto aos temas, à linguagem, à forma de ver o mundo. Essas diferenças e semelhanças estão diretamente ligadas ao momento histórico da escrita das obras.
Por exemplo, o escritor do Barroco pensa e escreve de determinada maneira de acordo com a situação vivida em seu tempo (nesse caso, a Contra-Reforma). Já o Arcadismo surge com a decadência dos pensamentos barrocos, que não condizem mais com a sua realidade (Iluminismo). Essa mudança, é claro, não acontece de um dia para o outro, e sim de forma progressiva. Além disso, mesmo em um determinado período, em que há escritores que seguem há risca os preceitos de determinada escola literária (consciente ou inconscientemente), há outros que seguem de maneira retrógrada ou até bem a frente de seu tempo. Por isso, para que não se torne difícil a memorização de estilo de certos autores e o período em que viveram, é necessário fazer a classificação em escolas literárias.


Escolas Literárias- Caracterização Geral

Antiguidade Clássica (Grécia/Roma) Do século V. a.c. ao século V. d.c.
Características:
•Racionalismo;
•Antropocentrismo;
•A beleza como objetivo fundamental;
•Busca por equilíbrio, linearidade e a harmonia;
•Mitologia como tema central;
•Paganismo;
•Nudez como recurso artístico;
•Apego aos bens do mundo;

Trovadorismo (época medieval - século XII ao século XV)
Características:
• Teocentrismo;
•Influência do Cristianismo;
• Submissão a igreja e ao senhor feudal;
• Sobreposição da vida eterna à terrena;
• Simplicidade;
• Geocentrismo;
• Poesia acompanhada de instrumentos;
• Paralelismos;
• Coita amorosa;
• Humor e Sátira;
• Idealização feminina.

Humanismo (Século XV)
Características:
Transição entre o Trovadorismo e o Classicismo;
• Questionamentos dos dogmas religiosos;
• Semipaganismo;
• Ridicularização da Escolástica;
• Diluição do feudalismo;
• Curiosidade Científica;
• A Natureza como espelho para a arte;
• Predomínio da razão;
• Mitologia Grega e Bíblia Sagrada como temas;
• Clareza;
• Equilíbrio;
• Heliocentrismo;
• Universalismo.

Classicismo (Século XVI)
Características:
Antropocentrismo;
• Racionalismo;
• Equilíbrio, clareza e linearidade;
• Universalismo;
• Presença da mitologia greco-romana;
• Neoplatonismo;
• Valorização da beleza;
• Grandes Navegações;
• Adoção da medida nova (versos decassílabos);
• Gosto pelo soneto;

Barroco - (Século XVII)
Características:
• Gosto pelas inversões sintáticas (hipérbatos);
• Excesso de figuras de linguagem (metáfora, hipérbato, paradoxo, antítese);
• Sugestões sonoras e cromáticas;
• Gosto por construções complexas e raras;
• Oposição entre o mundo material e o espiritual;
• Consciência da Efemeridade do tempo;
• Carpe diem (colha o dia, aproveite o dia);
• Cultismo (jogo de palavras);
• Conceptismo (jogo de ideias);
• Antropocentrismo x Teocentrismo;
• Razão x fé;
• Pecado x perdão. 

Arcadismo - (Século XVIII)
Características:
Inutilia Truncat (cortar o inútil) - valorização de um vocabulário simples;
• Manutenção do soneto decassílabo e de outras formas clássicas;
• Linguagem pastoril;
• Bucolismo;
• Fugere Urbem (Fugir da Cidade);
• Aurea mediocritas (equilíbrio de ouro);
• Influência da cultura greco-latina (linearidade, clareza, racionalismo);
• Idealização amorosa;
• Ideais iluministas;
• Carpe diem;
• Locus amuenus (lugar ameno).

Romantismo (primeira metade do século XIX)
Características:
Vocabulário mais simples;
• Gosto por métricas populares (redondilhas maiores e menores);
• Descrições minuciosas, com excesso de comparações e metáforas;
• Egocentrismo;
• Subjetivismo;
• Sentimentalismo;
• Saudosismo;
• Nacionalismo;
• Idealização da mulher, do amor e do herói;
• Escapismo;
• Medievalismo;
• Indianismo; 
• Religiosidade;
• Byronismo;
• Condoreirismo;

Realismo (Segunda metade do Século XIX)
Características:
• Objetivismo;
• Narrativa lenta;
• Exatidão para localizar tempo e espaço;
• Mulher não idealizada com defeitos e qualidades;
• Sentimentos subordinados aos interesses sociais;
• Protagonista apresentado como um anti-herói ou um herói problemático;
• Crítica aos valores burgueses;
• Profunda análise psicológica;
• Casamento por conveniência;
• Adultério.

Naturalismo 
Características:
• Linguagem simples;
• Preocupação com minúcias;
• Descrição e narrativa lentas;
• Determinismo;
• Objetivismo científico;
• Temas da patologia social;
• Ser humano descrito sob a ótica do animalesco e do sensual;
• Despreocupação com a moral;
• Literatura engajada;

Parnasianismo 
Características:
• Perfeição formal;
• Vocabulário rebuscado;
• Rimas raras e chaves de ouro;
• Gosto pelas descrições;
• Objetivismo;
• Gosto pelo soneto;
• Contenção das emoções e racionalismo;
• Universalismo;
• Apego à tradição clássica;
• Presença da mitologia grega;
• "Arte pela arte";

Simbolismo
Características:
• Linguagem vaga, que prefere sugerir a nomear;
• Excessos de figuras de linguagens (paranomásias, sinestesias, aliterações, assonâncias, metáforas);
• Subjetivismo;
• Antimaterialismo;
• Religiosidade;
• Pessimismo;
• Loucura;
• Interesse pela noite e pela morte;
• Desejo de transcendência;

Modernismo
Características:
Versos livres;
• Linguagem vocabular;
• Linguagem sintética, quase elíptica;
• Fragmentação, flashes cinematográficos;
• Busca de uma linguagem brasileira;
• Nacionalismo ufanista;
• Revisão de nosso passado histórico-cultural;
• Ironia, humor, piada;
• Valorização de temas ligados ao cotidiano;
• Urbanismo.

Referência→ Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura / Marta Pontes - São Paulo: DCL, 2010.










domingo, 7 de junho de 2015

Literatura Portuguesa - Barroco

Literatura Portuguesa - Barroco

Barroco
O Barroco ou Seiscentismo tem início em 1580, ano que, além de marcar a morte de Camões, marca a passagem de Portugal pelo domínio espanhol; e termina em 1756, quando é fundada a Arcádia Lusitana. Nesse movimento, que vai caracteriza-se pela tensão e tentativa de fusão dos opostos, desenvolveram-se a oratória, a prosa doutrinária, a poesia, a historiografia, a epistolografia e o teatro.

Contexto Histórico
O século XVII assistiu profundas alterações  no quadro político, econômico, social, religioso e artístico da Europa em função de vários fatores:
a) Formação de estados absolutistas: o poder político foi fortemente centralizado na figura do rei (que se confundia com o próprio Estado). Esse sistema respondia as necessidades da burguesia, que precisava de um poder conservador para garantir as condições de mercado. Era a derrocada final do Feudalismo. 
b) Revolução Comercial: O mercantilismo exigia a ampliação de mercados fornecedores e consumidores. A circulação de mercadorias era a principal fonte de acumulação de capitais, representada na Espanha pela exploração de metais preciosos das colônias.
c) Ascensão econômica da burguesia: No século XVII, embora economicamente dominante, a burguesia ainda era politicamente submetida.
d) Contra-Reforma: Consequência da Reforma protestante (1517), ela foi a reação da igreja católica para conter a expansão do protestantismo. A Contra-Reforma propunha a volta ao teocentrismo (fé irrestrita na autoridade da igreja), abolindo o individualismo religioso do Renascimento. A Companhia de Jesus, criada pelo espanhol Inácio de Loiola em 1540, foi a arma usada pela igreja para manter e recuperar fiéis. Os jesuítas monopolizaram a educação para difundir a igreja católica. O Concílio de Trento (1545-1563) fortaleceu o tribunal do Santo Ofício da inquisição que, não só reprimiu todas as tentativas de manifestações científicas, culturais e religiosas contrarias à igreja Católica, como também controlou a produção literária através da censura.
A Península Ibérica, berço da Contra-Reforma, esteve afastada de toda a efervescência cultural dos países onde a Reforma se consolidara e onde desenvolveram a ciência mecânica e o mercantilismo moderno (Newton, Descartes, Galileu, Copérnico, Kepler).
Depois do desaparecimento de D, Sebastião na batalha Alcácer-Quibir, Portugal, em 1580, caiu sob o domínio espanhol. Muitos escritores portugueses foram para Espanha (onde viviam Gôngora, Cervantes, Lope de Vega, Calderón), outros passaram a escrever em castelhano. Só em 1640 com a Restauração (movimento português de independência financiado pela burguesia e pelos cristãos-novos), a cultura portuguesa romperia o isolamento e seria influenciada, principalmente, pela literatura francesa.

Manifestações Artísticas
O homem desse período foi marcado pela tensão da dualidade: de um lado a afirmação de um racionalismo renascentista antropocêntrico e, de outro, o retorno dos valores espirituais da teocêntrica Idade Média. A arte foi uma das armas mais  eficazes da Contra-Reforma para provocar e influenciar as emoções. Havia na obra dos jesuítas, que se empenhavam em recuperar hegeres e consolidar a fé dos cristãos, o desejo contínuo de dominar e impressionar a todo custo.
O Barroco caracteriza-se pelo movimento, pela tentativa de sugerir o infinito, pelos contrastes, pela audaciosa mistura da arquitetura, pintura e escultura. Ele é exuberante na riqueza de detalhes, teatral e dramático, pois escolhe os momentos de dor e comoção para impressionar os sentidos.

Literatura
A literatura também refletiu esse momento de tensão vivido pelo homem do barroco. Como as outras artes, empregou uma linguagem adequada à monumentalidade e à ostentação, exagerando no rebuscamento formal ao abusar de antíteses (que refletem a contradição do homem barroco, seu feudalismo), de metáforas (que enfatizam a apreensão da realidade pelos sentidos e de hipérboles (que traduzem a pompa, a grandiosidade do Barroco).
Há duas correntes barrocas em literatura:
a) Cultismo: Consiste na supervalorização da forma, emprego de linguagem rebuscada, culta, extravagante, que abusa de trocadilhos. É também chamada de gongorismo porque nele é clara a influência do poeta espanhol Luís de Gongora (1561-1627).
b) Conceptismo: Que ocorre sobretudo na prosa e torna a literatura um jogo retórico de ideias, de conceitos, por meio do raciocínio e da lógica. Nesse trecho do Sermão da Sexagésima, Vieira por meio de ideias logicamente estruturadas, discute a sutil ideia entre o substantivo (nome) e a ação, a única que pode transformar, converter o mundo.

Alguns Poetas:
Padre Antônio Vieira (1608-1697)
É o autor de "Os Sermões", obra notável, produzida para a posteridade, trabalho capital da literatura do século XVII. Veio para o Brasil com seus pais, com a idade de sete anos. Estudou com os jesuítas, fazendo o noviciado durante três anos na Companhia de Jesus. Esteve na Europa até 1681, quando voltou a Bahia, onde faleceu em 1697. Nasceu em Lisboa em 1608. Um dia, ao rezar, teria sentido forte abalo cerebral, o popular "estado do padre Vieira". Em muitos dos seus sermões, pregou violentamente contra os senhores da terra que violentavam os índios.

Francisco Rodrigues Lobo (1580-1621)
Foi um dos escritores que mais se destacaram na formação do estilo barroco na Península. Quase todos os textos são em castelhano, demonstrando a influência de Gôngora. Em Corte na Aldeia faz uma espécie de teoria do Barroco.

D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666)
Sua obra compreende poesia, historiografia, teatro, biografia, literatura moralista e epistolografia. Sua poesia é gongórica, mas revela influências clássicas de Camões e Sá de Miranda. Como historiador, relatou fatos que viveu (teve uma vida bastante agitada e variada a que não faltaram crime passional, degredo, carreira diplomática). Sua intenção é oferecer ensinamentos práticos para militares e diplomatas. Seguindo a linha do teatro vicentino, escreveu a comédia Auto do Fidalgo Aprendiz em que relata o burguês que quer afidalgar-se. As cartas, de tom conservador, têm um caráter moralista e doutrinário. Destacam-se Cartas Familiares e Carta de Guia dos Casados.

Padre Manuel Bernardes (1644-1710)
Nova Floresta é sua obra mais conhecida. Nela Bernardes recorre a um processo didático de organizar alfabeticamente virtudes e pecados e contar ou dar um exemplo para ser compreendido pelo leitor.

Antônio José da Silva "o judeu" (1705-1739)
Depois de Gil Vicente, o teatro entrou em decadência em Portugal. Foi preciso esperar até o Barroco para que Antônio José da Silva alterasse esse quadro.
Brasileiro, de uma família de cristãos-novos, aos oito anos foi para Lisboa.
Acusando-o de judaísmo, a Inquisição o condena a morrer degolado e queimado.
Suas comédias, nas quais utilizava bonecos (títeres ou marionetes), eram por ele chamadas de óperas, pois se faziam acompanhar de música e canto. Ele sofreu influência de Gil Vicente, da comédia clássica e do teatro francês, italiano e espanhol da época. A grande inovação foi ter escrito suas peças em prosa. Guerras do Alecrim e Manjerona é sua obra mais conhecida.

Sóror Mariana Alcoforado (1640-1723)
Religiosa portuguesa apaixonada por um general francês que serviu em Portugal, Sóror Mariana revela em suas Cartas Portuguesas a bipolaridade barroca: o aspecto racional (que lhe diz para esquecer o amante) e a súplica sentimental para que ele volte.

Frei Luís de Sousa (1555-1632)
Sua obra mais brilhante é Vida de Frei Bartolomeu dos Mártires. Ele ficou famoso, no entanto, pelos lances trágicos que deram vida ao romântico Almeida Garrett para a peça Frei Luís de Sousa.
Manuel de Sousa Coutinho (nome de batismo) casou-se com D. Madalena Vilhena, viúva de D. João de Portugal, supostamente morto na batalha de Alcácer-Quibir, e tiveram uma filha. No entanto D. João volta a Portugal e a filha do casal morre, o que é visto como castigo pelo casamento adúltero. Manuel e Madalena decidem, então, entrar para o convento.

O Barroco em Portugal (1580-1756)
A palavra barroco designa, de modo geral, as várias manifestações artísticas do século XVII e início do século XVIII: na arquitetura, na literatura, na música, na escultura, etc. Suas características são:
Nas Artes Em Geral
• valorização do espiritual (o classicismo anterior revalorizou os ideais pagãos);
• exagero de detalhes, cores vivas;
• jogo de sombras e de luzes;
• linhas diagonais, curvas e assimétricas;

Na Literatura
a) Quanto a escolha dos temas o Barroco preocupou-se com: a brevidade da vida, o pessimismo perante a vida, a morte, a religião como alívio para as angústias.
b) Quanto à linguagem, é frequentemente no Barroco o emprego de:
• antíteses;
• comparações;
• trocadilhos e inversões;
• metáforas;
• frases interrogativas;
• vocabulário elevado e rico;
• gradação de palavras;
• repetições constantes;
• dubiedade de sentidos (ambiguidade, duplo sentido).

Principais Autores Portugueses
Os principais autores portugueses são: Padre Antônio Vieira, Francisco Manuel de Melo, Francisco Rodrigues Lobo, Antônio Josué da Silva (o judeu), Sóror Mariana Alcoforado e Padre Manuel Bernardes.
O mais representativo deles foi o Padre Antônio Vieira, que pertenceu tanto ao Barroco português quanto ao Barroco brasileiro. É, na prosa, a figura barroca mais eminente.
Padre Antônio Vieira
O Padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em 1608, e faleceu na Bahia, em 1697.
São obras suas: História do futuro, Esperanças de Portugal, cerca de 500 cartas e os famosos Sermões (cerca de 200). Nos Sermões, Vieira abandona vários assuntos: a questão dos índios escravizados (Sermão de Santo Antônio), a invasão holandesa no Brasil, em 1640, a arte de pregar, a política, problemas sociais, etc.
Participou ativamente dos problemas sociais da sua época, colocou-se contra os colonos que escravizavam os índios, defendeu os judeus, lutou contra a inquisição, exerceu funções diplomáticas no estrangeiro.
Ninguém melhor para traçar o retrato de Vieira do que um dos maiores escritores de Portugal, Eça de Queirós:

A sua existência foi uma das mais ativas
e ilustres do seu tempo. Grande pregador,
grande político, grande escritor, missionário,
grande colonizador, esteve envolvido nos
maiores negócios, tratou com os maiores personagens
e trabalhou pelas maiores ideias da sua época.
Os seus magníficos Sermões arrebatavam
tanto a gente inculta do Brasil, como encantavam
em Roma o Sábio e requintado mundo
dos Prelados romanos. A sua forma estendeu-se
por toda a Europa. Depois de ser confidente
dos reis e dos papas, de ter conhecido
as grandezas do mundo e as do alto saber, 
morreu com a pobreza e a simplicidade
de um místico na capital da Bahia.

Vamos conhecer agora um texto de Vieira. 

A Guerra
É a guerra aquele monstro que se sustenta
das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto 
mais come e consome, tanto menos se farta.
É a guerra aquela tempestade terrestre, que
leva os campos, as casas, as vidas, os castelos,
as cidades, e talvez em um momento sorve os 
reinos e as monarquias inteiras. É a guerra aquela 
calamidade composta de todas as calamidades,
em que não há mal algum que, ou se não 
padeça, ou se não tema; nem bem 
que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro, 
O rico não tem segura a fazenda, o pobre 
não tem seguro o seu amor, o nobre não 
tem segura a honra, o eclesiástico não tem 
segura a imunidade, o religioso não tem 
segura a sua cela; e até Deus nos templos 
                               e nos sacrários não está seguro.                       Sermões.

Barroco (1580-1756)
Portugal do século XVI sofria com o domínio espanhol e, aos poucos, tentavam buscar a sua autonomia política para desenvolver com autonomia atividades econômicas e culturais. Esse período ficou conhecido como "processo de restauração". Influenciados pelo gongorismo (excesso de palavras) e o maneirismo (tentativa de imitar o estilo de algum autor), predomina uma literatura, com raras exceções, de qualidade duvidosa, sem muita inspiração. Surgem muitas academias literárias, lugares de discussões e divulgação de ideias culturais. Destacam-se nesse período Dom Francisco Manuel de Melo (poesia), Padre Antônio Vieira (sermões), Padre Antônio Bernardes (anedotas e lendas).
O Barroco tem como característica o excesso de figuras de linguagem (cultismo), o jogo de ideias (conceptismo), a dualidade ente a fé e a razão, o jogo do claro e o escuro (especialmente nas artes plásticas), o exagero de metáforas, hipérboles e hipérbatos.


 Padre Antônio Vieira (1608-1697)




 Barroco (1580 e 1756)

Europa como centro do mundo. 
Decadência Portuguesa. Integração de Portugal a Espanha (1580). Sebastianismo.
Crise religiosa – Reforma Protestante.
Aspecto profano do humanismo e aparente estabilidade das estruturas sociais.
Busca pela perfeição formal e o rebuscamento.
Padre Antônio Vieira: sermões = cunho moral. O conflito entre matéria e espírito.


Pe. Antônio Vieira
“mestre em oratória”.
Sermão da Sexagésima

“Para quem lavra com Deus até
o sair é semear, porque também das passadas colhe fruto. Entre
os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros
que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão
pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são
os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão,
mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa,
pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, 
hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah
Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais
passos: Exiit seminare.


Referências→ Escola Viva, Programa de Pesquisa e Apoio Escolar, O Tesouro do Estudante, Multimídia Multicolor 2003, Nível Médio e Fundamental. Ensino Global
Literaturas de Língua Portuguesa. Trovadorismo ao Modernismo
Sistema de Ensino IBEP. Apostila Língua Portuguesa - Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura / Marta Pontes - São Paulo: DCL, 2010.