terça-feira, 12 de julho de 2016

Literatura Brasileira - Modernismo

Literatura Brasileira - Modernismo

MODERNISMO

Semana de Arte Moderna
O Modernismo iniciou-se com a Semana de Arte Moderna, nos dias 13, 15 e 17 de Fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Nela se apresentaram sob vaias, assobios e muita algazarra, escritores, pintores, escultores, arquitetos e músicos que pretendiam não só "assustar a burguesia que cochila na glória de seus lucros", mas também propagar novas tendências artísticas europeias para colocar a cultura brasileira em sintonia com elas.

Vanguarda Europeia
A rápida industrialização da Europa, com a introdução da máquina no cotidiano, o surgimento dos transportes modernos (carro, avião) e dos meios de comunicação de massa (rádio, cinema), transformou o mundo e o modo de vida das pessoas.
Na estética, diversas influências refletiram esse momento e influenciaram mais tarde nosso Modernismo:  Futurismo, Expressionismo, Cubismo e Surrealismo.

Futurismo
"Um carro em movimento é mais belo que a vitória de Samotrácia", dizia Marinetti, o fundador, em 1909, do Futurismo. Essa estética celebra os signos do novo mundo, a velocidade, a máquina, a eletricidade, a industrialização. Apregoando a questão do passado e dos meios tradicionais de expressão literária, o Futurismo (tendência que mais mais influenciou a primeira fase do Modernismo) propunha:
- Liberdade de Expressão;
- Destruição da sintaxe;
- Abolição da pontuação;
- Uso de símbolos matemáticos e musicais;
- Desprezo ao adjetivo e ao advérbio.

Expressionismo
Surgido em 1910, foi representação de povos nórdicos, germânicos e eslavos. Essa tendência apressou o período anterior à Primeira Guerra Mundial, voltando-se para os produtos artísticos dos primitivos e para as manifestações do mundo interior, expressas no uso aleatório de cores intensas e distorção das formas, como atesta o quadro O Grito, do Norueguês Edvard Munch.
O Expressionismo influenciou sobretudo os quadros de Anita Malfatti.

Cubismo    
Em 1907, Pablo Picasso pintou Les Demoiseilles d'Avignon (As senhoras de Avignon e inaugurou o Cubismo).
Segundo essa tendência, as figuras reduzidas as formas geométricas, apresentam ao mesmo tempo, o perfil e a frente, mostrando mais de um ângulo de visão. No Brasil, Vicente do Rego Monteiro e Antônio Gomide pintaram quadros cubistas.
A literatura cubista, inaugurada por Apollinaire, preocupou-se com a construção física do texto: valorizou o espaço da folha e a camada significante das palavras e negou a estrofe, a rima, o verso tradicional. Esse seria o embrião da nossa poesia concreta, da década de 50.

Dadaísmo
Este foi o mais radical e destruidor movimento da vanguarda europeia. Fundado por Tristan Tzara, negava o presente, o passado, o futuro e defendia a ideia de que qualquer combinação inusitada promove um efeito estético. O Dadaísmo refletiu um sentimento de saturação cultural de crise social e política.

Surrealismo
Inaugurado com a publicação do Manifesto Surrealista, em 1924, este foi o último movimento da vanguarda. Sofrendo influência das teorias de Freud, o Surrealismo caracterizou-se pela busca do homem primitivo por meio da investigação do mundo do inconsciente e dos sonhos. Na literatura, o traço fundamental foi a escrita automática (o autor deixa-se levar pelo impulso e registra sem controle racional, tudo aquilo que o inconsciente lhe ditar, sem se preocupar com a lógica.
Salvador Dali destacou-se como um dos pintores surrealistas europeus; no Brasil, Ismael Nery.

Divulgação das Ideias da Semana
Uma série de revistas, grupos e manifestos divulgou o resultado da semana por todo o país. Em 1922, surgiu a revista Klaxon, especializada em arte, que apresentou a primeira temática de sistematizar os novos ideais estéticos. Já nesse momento delineou-se uma cisão no grupo dos modernistas, resultado de orientações políticas diferentes: de um lado, artistas marcados pela ideologia marxista pregavam a destruição do passado; outros, alinhados à estrema direita, aceitavam o passado como o ponto de partida para o novo.
Destacaram-se as seguintes correntes que produziram revistas e manifestos:
a)Corrente primitivista: criada em São Paulo, elegeu como tema motivos primitivos nacionais, índio, descoberta do Brasil, período colonial.
- 1924- Manifesto Pau-Brasil: de Oswald de Andrade prega uma poesia voltada para a realidade brasileira, sem importação de fórmulas ou temas estrangeiros.
- 1928 - Revista Antropofagia (que teve duas fases ou "dentições"): dela participaram Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Calos Drummond, Alcântara Machado, Tarsila do Amaral, entre outros. Continua as ideias do Pau-Brasil. Propondo um retorno aos costumes primitivos, pregam "a aceitação não passiva, sob a forma de uma devoração crítica, da contribuição europeia, e sua transformação num novo produto, dotado de valores próprios".       
b) Corrente nacionalista: criada também em São Paulo, defende os motivos folclóricos e indígenas, mas não nega a tradição, sobre a qual, segundo seus poetas, deveria fundar-se a nova literatura.
- 1926 - Verde-Amarelismo: movimento formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo, surge como reação ao Pau-Brasil. Ufanista, o movimento identifica-se como facismo.
- 1927 - Grupo Verde-Amarelo: elege a anta como símbolo nacional e passa a chamar-se Grupo (ou Escola) da Anta. Em 1929, surge o Nhengaçu Verde-Amarelo, manifesto do Grupo da Anta.
- 1926 - O Centro Regionalista de Recife: inspirado por Gilberto Freire e José Lins do Rego, dá origem ao ciclo nordestino de ficção.
c) Corrente espiritualista: centrada no Rio de Janeiro, tentou imprimir um caráter espiritualista ao Modernismo, defendendo a tradição. Na tentativa de conciliar presente e passado, valorizou a estática simbolista.
- 1927 - Revista Festa: fundada por Tasso da Silveira, tinha entre seus colaboradores Cecília Meireles e Murilo Mendes.
- 1924 - Estética: Rio de Janeiro.
- 1925 - A Revista: Minas Gerais, tinha Carlos Drummond entre seus redatores.
- 1926 - Terra Roxa e Outras Terras: São Paulo.
- 1927 - Revista Verde de Cataguases: Minas Gerais.

Primeira Fase do Modernismo (1922-1930)
A primeira fase do Modernismo, também chamada de heróica foi a que mais combateu a tradição, marcou-se por intensa tradição em poesia cujas características foram:
• utilização do verso livre;
• procura de uma língua "brasileira", 
privilegiando por isso a linguagem coloquial;
• uso de linguagem telegráfica, condensada;
• ausência de pontuação;
• tematização da própria linguagem (metalinguagem);
• valorização do cotidiano;
• incorporação do presente;
• uso de paródias, com o sentido de dessacralizar a tradição;
• uso de humor (poema piada);
• criação de neologismos;
• aproximação da linguagem da prosa.

Produção Literária
Mário de Andrade ( 1893-1945)
Andrade (Mário de) ▬ Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo a 09 de Outubro de 1893. Diplomado em piano pelo Conservatério Dramático e Musical de São Paulo, onde foi também professor de estética e história da música. Publicou em 1917, o livro "Há uma Gota de Sangue em cada Poema". Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna. A partir daí, Mário de Andrade se tornou a principal figura do Movimento Modernista. Escreveu: "Pauliceia Desvairada", ensaio; "A Escrava que não é Isaura", e ainda "Losango Caqui", poesia e "Primeiro Amor", "Amar Verbo Intransitivo", romance. Em 1928, lançou "Macunaíma". Mário de Andrade faleceu em São Paulo em 25 de Fevereiro de 1945.

Oswald de Andrade (1890-1954)
Andrade (Oswald de) ▬ José Oswald de Sousa Andrade, poeta e prosador brasileiro, nasceu em São Paulo a 11 de Janeiro de 1890. Formou-se em direito no ano de 1919. Participou com entusiasmo da Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo no ano de 1922, tornando-se mesmo um dos líderes do Movimento Modernista. Publicou "Os Condenados"; "Memórias Sentimentais de João Miramar", "Estrelas de Absinto", em 1922. Nesse mesmo ano publicou ainda o "Primeiro Caderno de Poesia". Em 1933 publicou o romance "Serafim Ponte Grande" a que se seguiram a 1934 "O Homem e o Cavalo", peça teatral. "Marco Zero", a mais ambiciosa de suas obras, permaneceu incompleta, sendo publicado apenas dois volumes: "A Revolução Melancólica e Chão". Faleceu na capital paulista a 22 de Outubro de 1954.

Manuel Bandeira (1886-1968)
Bandeira (Manuel) ▬ Um dos maiores poetas brasileiros, nasceu em Recife, a 19 de Abril de 1886. Começou a compor versos com a idade de dez anos. Ensinou literatura no Colégio Pedro II do Rio de Janeiro em 1938 e Literatura Hispano-Americana na Faculdade de Filosofia, em 1943. Publicou numerosos trabalhos de análise literária, analogias, tradução de romances e peças teatrais, clássicas e modernas. Considerado geralmente o poeta mais ilustre de seu tempo, no Brasil. Ocupou na Academia Brasileira de Letras, desde 1940, a cadeira nº 24, que tem como patrono Júlio Ribeiro. Foi membro consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1966, o governo o fez inscrever na Ordem Nacional do Mérito, no grau de Comendador, pelos "relevantes serviços prestados à Nação". Manuel Bandeira faleceu no Rio de Janeiro a 13 de Outubro  de 1968.

Antônio de Alcântara Machado (1901-1935)
Machado (Antônio de) ▬ Escritor, bacharel em Direito, jornalista e historiador. Alcântara Machado nasceu no estado de São Paulo no ano de 1901. Filiou-se ao Modernismo, ao lado de Oswald de Andrade, Raul Bopp e outros, que lutavam pela renovação literária. Foi um dos grandes escritores brasileiros. Faleceu em 1935.

Segunda Fase do Modernismo (1930-1945)
A preocupação com o regionalismo e a literatura voltada para a denúncia social marcaram a segunda fase do Modernismo.
A segunda fase do Modernismo começou com a Revolução de 30 e terminou com a deposição de Vargas pelas Forças Armadas em 1945. O período entre 30 e 40 foi decisivo para o romance, que denunciou os males sociais, voltando-se para o homem humilde e injustiçado. Desenvolveu-se nessa época o romance regionalista, psicológico e urbano. A poesia amadureceu as conquistas de 22 e também voltou-se para temas sociais.  

Manifestações Artísticas
Refletindo o panorama político, a arte procurou no regionalismo nossas raízes culturais e étnicas. O povo é retratado na pintura.
Em 1936, Lucio Costa e Oscar Niemeyer planejam o prédio do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, marco da arquitetura moderna brasileira.
Empenhando-se para encontrar uma linguagem nacional, Heitor Villa-Lobos incorpora melodias populares e indígenas, além de cantos de pássaros brasileiros, às suas composições.
Para entretenimento das massas, o rádio produz programas de auditório e o cinema, as chanchadas da Atlântida. As gravadoras e editoras multiplicam-se.
Além de toda essa produção cultural, as ciências também se desenvolvem: em 1931, surge a Universidade do Brasil; em 1933, a Escola Livre de Sociologia e Política e em 1934, a Universidade de São Paulo.

Produção Literária
A segunda fase do Modernismo aproveitou e amadureceu as propostas de 22, eliminando exageros e gratuidades. Ao mesmo tempo que continuou as pesquisas estéticas da primeira geração, reabilitou algumas formas tradicionais, como o soneto e o verso rimado. Sua temática foi mais politizada, mas não deixou de lado o espiritualismo e a introspeção.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Poeta e cronista brasileiro, nascido em Itabira, Minas Gerais, em 1902. Fez estudos primários em Nova Friburgo e superiores em Belo Horizonte. Descendente de família rural, fez-se burocrata e entregou-se às letras. Aceitou o Modernismo, de que veio a ser uma das maiores figuras. Poeta sarcástico, irônico e cheio de humor, tem horror ao patético e ao sentimental. Obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Fundo (1940); Vida de Bolso (1952); Contos de Aprendiz (1951); Fala, Amendoeira (1957), entre outros.
Como cronista, comentou os acontecimentos com ironia, deixando sempre ver a preocupação com o autêntico, com as coisas essenciais do homem.

Cecília Meireles (1901-1964)
Poetisa brasileira, nascida no Rio de Janeiro em 1901. Órfã de pai e mãe ficou a cargo da avó materna. Em 1917 concluiu o curso da Escola Normal da sua cidade natal e exerceu seguidamente o magistério. Em 1919 estreou nas letras com "Espectros". Em 1953, em Nova Deli, Cecília recebeu o doutorado honoris causa, e como demonstra o "Romanceiro da Inconfidência", ela foi uma autoridade em estudos folclóricos. Mas ganhou um lugar imortal na poesia. Começou com a geração modernista, um movimento de poesia católica. Seu lirismo é do mais alto e astralmente radiante que fulge da poesia. Obras: "Viagem" (1939); "Amor em Leonoreta" (1952); "Romanceiro da Inconfidência" (1953); "Mar Absoluto" (1945); entre outros.

Vinícius de Moraes (1913-1980)
Vinícius de Moraes tornou-se extremamente popular devido a sua atuação na música popular. No entanto, antes de músico, foi poeta lírico. No início da carreira, a tônica da sua poesia reside na religiosidade. A partir de "Cinco Elegias" (1943), nasce um lirismo amoroso de fundo erótico em que avulta a figura feminina. Embora não abandone o erotismo, sua poesia vai adquirindo uma conotação social  e refletindo o momento presente.
O melhor de sua produção lírica está nos sonetos.

Murilo Mendes (1901-1975)
Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, a 13 de Maio de 1901. Poeta e ensaísta brasileiro, sua obra poética é variada e rica, mas toda marcada por um hermetismo, que não raro lhe dificulta a interpretação. Teve seu primeiro livro publicado em 1930, "Poesias". Daí por diante lançou novas obras, firmando-se no cenário literário brasileiro. Foi Adido Cultural da Embaixada Brasileira, na Itália. Faleceu em 1975. Outras obras: "História do Brasil" (1932); "Contemplação de Ouro Preto" (1954); "Siliciana" (1955); "Tempo Espanhol" (1959); "O Visionário" (1941); etc.

Jorge Lima (1895-1953)
Lima (Jorge de)  ▬ Poeta, romancista e médico brasileiro, nasceu na cidade de União dos Palmares, no estado de Alagoas, em 23 de Abril de 1895. Iniciou seu curso de medicina em Salvador, Bahia, completando-o no Rio de Janeiro, em 1914. Foi catedrático de Literatura da Universidade do Brasil e da Católica do Rio de Janeiro. Publicou em 1927, "Poemas" e em 1929,  "Novos Poemas". Em 1932, publicou "Poemas Escolhidos". Em 1938 lançou ´"Túnica Inconsútil". Em 1950, "Anunciação" e "Encontro de Mira Coeli". Com a invenção do "Orfeu", lançado em 1952, Jorge Lima alcançou o máximo em sua carreira de poeta inspirado. Jorge Lima ainda escreveu ensaios, histórias infantis e os romances "Salomão e as Mulheres", "O Anjo", "Calunga" e outros. Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de Novembro de 1953.

Prosa
O período entre 30 e 40 representou a era do romance brasileiro preocupado em enfocar a realidade brasileira e aproveitando as conquistas estilísticas de 22. Reflexo da crise cafeeira, da Revolução de 30, do declínio dos engenhos no Nordeste e sua substituição pelas usinas, o romance regionalista mostrou um escritor engajado, um crítico das revoluções sociais. Além do romance regionalista, destaca-se o romance urbano, representado pela prosa do gaúcho Érico Veríssimo. José Américo de Almeida, com o livro A Bagaceira (1928), prenunciou o início da segunda fase do Modernismo. No entanto ele é mais importante pela temática de crítica social (engenho, seca, retirantes) do que pelo valor literário.

Rachel de Queiroz (1910-2003)
Raquel de Queiroz foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, em 1977. Como os outros escritores nordestinos seus contemporâneos, sua obra tem um forte caráter regionalista. Ela começou sua carreira com O Quinze (1930), romance que trata da ceca de 1915, vivido também por ela e sua família.
Caminho de Pedras (1927) é seu romance mais engajado e em As Três Marias, valoriza a análise psicológica. Depois de quase 40 anos sem escrever, Rachel lança em 1992, Memorial de Maria Moura, que conta a história de uma cangaceira nordestina. No últimos anos de sua vida dedicou-se à crônica. 

Graciliano Ramos (1892-1953)
Ramos (Graciliano) ▬ Nasceu em Alagoas no ano de 1892 e faleceu em 1953. Foi diretor da Instituição Pública em Maceió e no Rio de Janeiro, onde fixou residência, foi inspetor de ensino secundário e jornalista. É considerado um dos grandes escritores de ficção e da prosa brasileira. Em 1934 estreou nas letras com o romance "Caetés". Logo depois publicou "São Bernardo", "Angustia", "Vidas Secas", "Insônia" e "Memórias do Cárcere", obra em quatro volumes, publicação póstuma, talvez a sua obra-prima.   

José Lins do Rego (1901-1957)
Sua obra é um dos pontos fortes do romance regional nordestino. Fixando tipos e costumes da região, escreve mais sobre o fluxo da memória do que pelo influxo da imaginação. A análise psicológica das personagens não é profunda, mas estas são invulgarmente generosas e reais. Estreia com Menino de Engenho (1932), com o qual inicia o ciclo da cana-de-açúcar, representado por Doidinho (1933), Bangüe (1934), Moleque Ricardo (1935), Usina (1936) e Fogo Morto (1943). Neles, com importante força documental, retrata a decadência dos engenhos sufocados pelas usinas modernas.
Escreveu também Peruza (1937), Pedra Bonita (1938), Riacho Doce (1939) e Cangaceiro (1953), que compõe o ciclo do cangaço, misticismo e seca.     
            
Jorge Amado (1912-2001)
Amado (Jorge) ▬ Um dos escritores brasileiros mais lidos e traduzidos em todo o mundo. Nasceu numa fazenda de cacau de Auricídia, município de Itabuna, estado da Bahia, no dia 10 de Agosto de 1912. Seu pai Jorge Amado de Faria, foi um dos desbravadores da região cacaueira. A família transferiu-se depois para a cidade de Ilhéus, onde Jorge Amado fez seus primeiros estudos e revelou sua vocação literária. Instigado pelo pai, estudou Direito, formando-se. Sua obra literária é vasta e seus livros alcançaram grande repercussão, sendo traduzidos para mais de 39 idiomas. Viajou para todo o mundo. Entre suas obras mais famosas destacam-se "Capitães de Areia", "Mar Morto", "Terras do Sem Fim", "Gabriela, Cravo e Canela", "Dona Flor e Seus Dois Maridos", etc. É membro da Academia Brasileira  de Letras, cadeira nº 23, cujo patrono é José de Alencar desde  06 de Abril de 1961.
Jorge Amado faleceu em 06 de Agosto de 2001 às vésperas de completar 89 anos, vítima de parada cardiorrespiratória.

Érico Veríssimo (1905-1975) 
A obra deste gaúcho divide-se em:
a) Romance urbano, em que retrata os conflitos morais e espirituais de uma sociedade em crise: Clarissa, Música ao Longe, Olhai os Lírios do Campo, entre outros;
b) Romance histórico, em que recupera a história do Rio Grande do Sul, desde os tempos coloniais, passando pela revolta da armada, de 1893, até o início do governo Vargas: O Tempo e o Vento, obra composta de três romances: O Continente, O Retrato e O Arquipélago; 
c) Romance político internacional, O Prisioneiro, O Senhor Embaixador e Incidente em Antares.

Terceira Fase do Modernismo (1945-    )
Após a deposição de Getúlio e o término da Segunda Guerra Mundial, a literatura brasileira entra numa fase a que muitos chamam de Pós-Modernismo. Na poesia, autores da geração de 45", os neoparnasianos rejeitam as propostas de 22. Mas concomitante a eles surge um poeta inclassificável: João Cabral de Melo Neto. A intensa produção de romances e contos marca a prosa que se orienta para o regionalismo com Guimarães Rosa, e para a sondagem psicológica, com Clarice Lispector. Os anos 60 a 90 veem surgir uma prosa multifacetada.

Manifestações Artísticas
O mundo artístico brasileiro é revolucionado por mecenas representantes das elites industriais. Assis Chateaubriant funda, em 1947, o Museu de Arte de São Paulo (Masp); em 1951, Francisco Matarazzo Sobrinho cria a bienal de São Paulo; e Francisco Zampari, oTBC (Teatro Brasileiro de Comédia). Essas iniciativas procuram romper as barreiras do tradicionalismo.
Na pintura, O Abstracionismo, uma arte não voltada para a representação do mundo visível, supera o Figurativismo.
Arquitetos como Lucio Costa e Oscar Niemeyer, com a construção de Brasília, projetam-se internacionalmente.
O movimento Música Viva opõe-se ao nacionalismo de Villa-Lobos, identificado como a ditadura Vargas e introduz a música dodecafônica no Brasil. Esse movimento é seguido pela Música Nova, que reflete uma tendência internacionalista. A música popular descobre a bossa nova com Caetano Veloso e Gilberto Gil. O Tropicalismo, em final dos anos 60, representou uma radicalização estético-musical com a mescla do folclore, rock, ultrapassado, desenvolvido e experimentações artísticas contemporâneas.
O teatro renova-se com a representação, em 1943, de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Ziembisky. Surgem não só nomes como Ariano Suassuna, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Jorge Andrade, mas também companhias teatrais que revolucionaram nosso teatro: Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), Teatro de Arena, Teatro Oficina.

Produção Literária
Três escritores destacaram-se pela pesquisa de linguagem na terceira fase do Modernismo: Guimarães Rosa e  Clarice Lispector na prosa e João Cabral de Melo Neto na poesia.
No entanto, a "Geração de 45", representada por Péricles Eugênio da Silva Ramos, Ledo Ivo, Geir Campos, Mário Quintana, é neoparnasiana. Negando o ideário de 22, esses poetas revalorizavam a rima, a métrica e valorizavam um vocábulo mais erudito, afastando-se do coloquialismo.

Guimarães Rosa (1908-1967)
Rosa nasceu em Codisburgo, Minas Gerais, estudou Medicina, foi diplomata e embaixador. Morreu no Rio de Janeiro, três dias após ter tomado posse na Academia Brasileira de Letras. É considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira e ocidental.
Seguindo uma tendência básica dessa fase do Modernismo, Guimarães Rosa preocupou-se, partir do uso de arcaísmos, neologismos, empréstimos de outras línguas, exploração de novas estruturas sintáticas, recria a linguagem. Além disso usa recursos da poesia como ritmo, aliterações, metáforas insólitas, criando uma prosa poética.
Em Sagarana, o sertão aparece não mais dentro da tradição regionalista, mas universalizado, cheio de mitos e interrogações sobre a luta entre o bem e o mal, Deus e o Diabo, amor, destino, morte. A esse livro seguiu-se o ciclo de novelas de Corpo de Baile (1956), que a partir da terceira edição deu origem a três volumes independentes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites de Sertão. Rosa publicou ainda Primeiras Estórias (1962), Tutameia (1967), Estas Estórias (1969), Ave Palavra (1970), todos livros de contos. Sua obra-prima é o romance Grande Sertão: Veredas.

Clarice Lispector (1926-1977)
A ucraniana Clarice Lispector chegou ao Brasil aos dois meses de idade. Seu primeiro romance Pedro do Coração Selvagem (1944) surpreende a crítica por subverter a narrativa tradicional ligada a fatos e retrato de uma sociedade em crise. Escrito em terceira pessoa, caracteriza-se pela fusão da voz da personagem e do narrador (expressa pelo uso do narrador indireto livre) e pela sondagem do mundo interior da personagem. Não mais a crise da sociedade, mas o indivíduo em crise.
Situações cotidianas, banais, desencadeiam nas personagens um fluxo de consciência (mergulho no seu interior) que as leva a ver de outra forma sua relação com o mundo exterior, seu "estar no mundo". São palavras do autor para definir sua narrativa introspectiva: "Não tem pessoas que cosem para fora? Eu cosem para dentro".
Além dos romances O Lustre (1946), Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969), A Hora da Estrela (1977), publicou o livro dos contos dos Laços de Família (1960), A Bela e a Fera (1979), crônicas e literatura infantil.

João Cabral de Melo e Neto (1920-1999)
Nasceu no Recife, Pernambuco, a 09 de Janeiro de 1920. Participou da secção de poesias do Congresso Internacional de Escritores em São Paulo. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, a 15 de Agosto de 1968. Diplomata, poeta e escritor. Algumas de suas obras: "O Rio" (prêmio José de Anchieta), "A pregação pela Pedra" e "Morte e Vida Severina".

Tendências Atuais
Do final dos anos 50 aos nossos dias, a poesia caracterizou-se por propostas de inovação da linguagem poética que se estendem à música popular e à cultura de massa. 

Concretismo                                                                                  
O movimento concretista surge em 1956, em São Paulo e propõe o poema objeto. O grupo Noigrantes, fundado por Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, foi porta-voz das propostas concretistas. Revisitando poetas ignorados como Sousândrade e Pedro Kilberry, resgatando sobretudo as inovações de Oswald de Andrade e procedimentos da vanguarda europeia do início do século. Os concretistas decretam a:
• desintegração do verso;
• exploração da camada significante do signo;
• visualmente: exploração com espaço tipográfico da página;
• sonoramente: aliterações, paranomásias, neologismos (montagem e desmontagem de palavras);
• desintegração da estrutura sintático-discursiva;
• metalinguagem.
O Concretismo aglutinou vários artistas em torno de suas propostas, mas houve também dessidências. Mário Chame, em 1962, com o livro Lavra-lavra, lança a Poesia Práxis, que valoriza a palavra no contexto linguístico. Insurgindo-se contra a palavra objeto dos concretistas, propõe a palavra energia:
Em 1968, Wladmir Dias-Pino afasta-se do movimento concretista e cria o Poema/Progresso, em que a palavra dá lugar ao símbolo gráfico.

Poesia Social
Os anos de ditadura fizeram surgir uma poesia engajada, de resistência. Essa tendencia espraiou-se também a música popular que teve em Geraldo Vandré e Chico Buarque seus mais ativos e censurados representantes.
Na poesia, Ferreira Gullar, que já fora concretista, aderira ao Poema/Progresso e fora um dos fundadores do Neoconcretismo, no Rio, passa a orientar sua poesia para a temática social. Seu engajamento político aumenta  a partir do golpe de 64.
Escreveu ainda Cabra Marcado para Morrer (1962), Poema Sujo (1976), peças teatrais e ensaios.

Poesia Marginal
Essa poesia foi assim chamada porque sua produção, edição e distribuição eram alternativas: mimeografadas ou em off-set, as triagens eram pequenas e a distribuição feita pelos próprios poetas, de mão em mão, em portas de teatro, restaurantes e escolas. A linguagem aproxima-se da oral e mantém pontos de contato com o Concretismo e o Poema/Progresso.

Prosa
Embora a produção do período apresente tendências variadas, em geral a prosa seguiu as linhas tradicionais, inovou quando adotou novas técnicas ou abordou novos temas como violência urbana e grupos marginalizados. Paralelamente, ao romance, a narrativa curta, conto e crônica, foi muito explorada. Podemos, grosso modo, assim adotar as tendências em prosa:

a) prosa regionalista representada por Mário Palmério (Vila dos Confins, Chapadão do Bugre), Bernardo Élis (O Tronco), José Cândido de Carvalho (O Coronél e o Lobisomem), entre outros;

b) prosa política (reflexo do período de ditadura) que se caracteriza por:
• denúncia direta - romance reportagem: José Louzeiro (Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia), Ignácio de Loiola Brandão (Zero), Márcio Souza (Galvez, O Imperador do Acre), Antônio Callado (Reflexos do Baile);   

c) prosa urbana: Rubem Fonseca (A Coleira do Cão, Feliz Ano Novo), João Antônio (Malagueta, Perus e Bacanaço), Dalton Trevisan (O Vampiro de Curitiba);

d) prosa intimista: Lygia Fagundes Teles (Ciranda de Pedra, Antes do Baile Verde), Autran Dourado (Ópera dos Mortos), Osman Lins (O Fiel e a Pedra, Avalorava);

e) prosa memorialista: Pedro Niva (Baú de Ossos), Érico Veríssimo (Solo de Clarineta). Com o espaço aberto a ela nos jornais, a crônica ganha nomes de peso como Rubem Braga, Fernando Sabino, Lourenço Diaféria, Luís Fernando Veríssimo entre tantos, que tiveram mestre Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).

O Modernismo no Brasil ▬ 1922
CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL
O início do Modernismo no Brasil é assinalado pela Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, em Fevereiro de 1922. A Semana de 22, como também é conhecida, foi resultado de uma série de fatos, que marcaram a vida cultural brasileira nas duas primeiras décadas deste século. São eles:
1912 - O retorno de Oswald de Andrade da Europa, imbuído do futurismo do italiano Marinetti. 
1913 - A primeira exposição do italiano Lasar Segall no Brasil, com sua pintura expressionista.
1917 - A exposição de Anita Malfatti, em que ela apresenta o Cubismo, desprezando a perspectiva convencional e representando os objetos com formas geométricas.
1921 - O retorno de Graça Aranha da Europa e a publicação  de Estética da vida, em que ele condena os padrões da época.
Enquanto esses fatos ocorriam, enquanto o país passava por um período histórico conturbado, que resultaria no fim da República Velha (1889-1930).
Em Fevereiro de 1922 uma série de eventos ▬ sessões, conferências, recitais, exposições de artes plásticas ▬ se deram no Teatro Municipal de São Paulo, com a participação de: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Guiomar Novais, Heitor Villa-Lobos,  Paulo Prado, etc. Iniciava-se o Modernismo no Brasil, renovando a mentalidade nacional e colocando o país na atualidade do mundo.

FASES DO MODERNISMO
O movimento modernista brasileiro passou por três fases distintas, que podemos destacar com os acontecimentos políticos do país.

1ª fase - 1922-1930
É uma fase de definição de comportamentos e tendências, cheia de publicações de revistas e manifestos. Também na política, o Brasil passa por momentos de transformações.
É o momento mais radical do Modernismo caracterizado:
• pelos ideais anárquicos
• por um nacionalismo exagerado;
• pelo primitivismo, isto é, pela volta às origens.
São autores dessa primeira fase: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Antônio de Alcântara Machado, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado.

2ª fase - 1930-1945
Trata-se de uma de construção, com ideias literárias inovadoras e de muita produtividade ▬ na prosa e na poesia.
Abrem essa fase, Mário de Andrade com a obra Macunaíma e José Américo de Almeida com A Bagaceira.
É um período que se caracteriza por uma literatura construtiva e com consciência política, e produção de uma literatura regional com Érico Veríssimo, Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz.

3ª fase - 1945
Na literatura, os autores brasileiros fogem dos excessos iniciais da geração de 22 e já é possível vislumbrar, na prosa, uma produção intimista e introspectiva, sendo Clarice Lispector a figura mais representativa desse tipo de romance. Ou uma literatura regionalista, cujo representante magistral foi Guimarães Rosa, ao registrar a psicologia, a fala e o mundo do jagunço do centro do Brasil.
Na poesia, destacam-se: João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Ledo Ivo e Mauro Mota.
Percebe-se nos autores modernos um vocabulário cheio de expressões coloquiais, traduzindo a fala típica brasileira, versos livres, estilo conciso.

Leia agora, algumas estrofes do poema Os Sapos de Manuel Bandeira, recitado durante a Semana de Arte Moderna e que traduz o espírito de reação contra a poesia parnasiana.



OS SAPOS

Enfunando os papos.

O meu verso é bom
Saem da penumbra.

Frumento sem joio.
Aos pulos, os sapos.

Faço rimas com
A luz os deslumbra.

Consoantes de apoio.



Em ronco que aterra.

Vai por cinquenta anos
Berra o sapo-boi:

Que lhes dei a norma:
_ “Meu pai foi à guerra!”                   

Reduzi sem danos
_ “Não foi!” _ “Foi!” _  

A fôrmas a forma.
         [_”Não foi!”




Clame a saparia
O sapo-tanoeiro,

Em críticas céticas:
Parnasiano aguado,

Não há mais poesia.
Diz: _ “Meu cancioneiro

Mas há artes poéticas...”
É bem martelado.





Vede como primo


Em comer os hiatos!


Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.



Enfunando: inchando, enchendo.
Penumbra: obscuridade, meia-luz.
Deslumbra: ofusca, perturba a vista.
Aterra: aterroriza, dá medo.
Primo: sou hábil, sobressaio.
Termos cognatos: palavras de origem comum. (Exemplo: terreno, terreiro, terráqueo: são termos cognatos. Têm a mesma origem que a terra.)
Frumento: trigo.
Joio: erva daninha que cresce no meio do trigo.
Clame: grite.
Céticas: descrentes.

Observe no poema "Pronomiais" como Oswald de Andrade dá mais importância ao linguajar coloquial ("Me dá um cigarro") do que a colocação exigida pela gramática (Dê-me um cigarro").

PRONOMIAIS
Dê-me um cigarro                  Mas o bom negro e o bom branco
Diz a gramática                      Da nação brasileira
Do professor e do aluno         Dizem todos os dias
E do mulato sabido                Deixa disso camarada
                                               Me dá um cigarro

Oswald de Andrade,

Poesias reunidas,
Civilização Brasileira.     

MODERNISMO (1922-1980)
O Modernismo foi responsável por uma manifestação artística, rompendo com a arte tradicional, totalmente academicista. Os autores dessa época têm a preocupação de retratar as várias mudanças da sociedade, assim como aproximar mais as obras da linguagem cotidiana.
Fortemente influenciados pela revolução artística trazida pelas vanguardas europeias, alguns jovens artistas, como Oswald de Andrade, realizaram a Semana de Arte Moderna em 1922, evento que teve grande repercussão (tanto positiva como negativa) no meio artístico e que ditaria as novas regras da arte, valorizando uma estética mais brasileira e de crítica às tradicionais vigentes.

O Modernismo é dividido em três fases, com traços bem distintos:
1ª fase (1922-1930): heróica, de ruptura com a tradição.
2ª fase (1930-1945): regionalista.
3ª fase (1945-1980): pós-moderna.

A primeira 1ª fase modernista servia para difundir as ideias antiacademicistas, valorizar a coloquialidade, resgatar o nacionalismo, revolucionar a linguagem e criticar os problemas sociais da época. Uma das formas de divulgação das ideias modernistas eram os manifestos Pau-Brasil, o Manifesto Nhengaçu Verde-Amarelo e o Manifesto da Antropofagia. Esses manifestos foram publicados nas resvistas Klaxon, A Revista e Festa.
As principais características dos autores modernistas são: a valorização do cotidiano, do coloquial, da linguagem simples, há uma aproximação da prosa com a poesia, o nacionalismo, crítica social, liberdade formal, uso do verso livre (sem métrica), do verso branco (sem métrica) e humor como recurso crítico (poema-piada e poema-paródia).   
Os autores mais importantes da primeira fase modernista são: Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Alcântara Machado.
A 2ª fase modernista apresenta uma maturidade em relação a primeira, especialmente na poesia, em que há uma união de alguns elementos tradicionais (como o soneto) e inovações na linguagem. Há o interesse pelo lado místico e religioso das coisas. Destaca-se também no poema o engajamento, a forte crítica social e política aos problemas da época, como a 2ª Grande Guerra Mundial, o Estado Novo e a Era Vargas. Os principais poetas do período são: Carlos Drummond de Andrade, Vinícios de Moraes, Murilo Mendes, Jorge de Lima e Cecília Meireles.
Na prosa, há um grande resgate do romance regionalista (que se polarizou durante o Romantismo), obras que são mostradas em determinadas regiões brasileiras, com o seu povo, os seus problemas, a sua linguagem e os seus costumes. Eles também são chamados de Romances de 30. Há a preocupação em enfatizar o psicológico do personagem e a sua relação com a sua terra, em uma espécie de determinismo do homem e o seu meio. Os romances deterministas se dividem pelas regiões tratadas nas obras:
- Nordeste - Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Américo de Almeida.
- Sudeste - Cornélio Pena, Ciro dos Anjos, Otávio de Faria.
- Sul - Érico Veríssimo e Dionélio Machado.
A 3ª fase modernista, também chamada de Geração de 45, é a mais diversificada, pois tem a preocupação de transformar a literatura vigente, fundindo o resgate de certo rigor formal com a criação de uma nova linguagem artística, somada a profunda análise psicológica e reflexões existenciais. Na prosa surgem algumas tendências como: 
- prosa de abordagem psicológica: que trata da introspecção, dos conflitos existenciais e psicológico de seus personagens. Os principais escritores dessa tendência são: Clarice Lispector, Carlos Heitor Cony, Antônio Olavo e Lygia Fagundes Telles.
- prosa urbana: que trata dos conflitos dos homens das grandes cidades. Dalton Trevisan e Rubem Fonseca.
- prosa regionalista - diferente da geração regionalista de 30 (que buscava apenas representar determinada região), a preocupação dos autores de 45 é a recriação do universo regional e da palavra. Destaca-se a figura de Mário Palmério, Herberto Sales, Bernardo Élis e principalmente, Guimarães Rosa.
Na poesia da época destaca-se o regate do rigor das formar tradicionais e a métrica. O autor mais importante desse período é João Cabral de Melo Neto.

Contemporaneidade (1980- Até os dias atuais)
Na contemporaneidade não encontramos o predomínio de um só estilo, mas sim, várias tendências que convivem ao mesmo tempo. Na poesia surgem cinco tendências:
1. Concretismo: que aboliu o verso tradicional e a sua linearidade, valorizando a visualidade, trabalha com a montagem e a desmontagem das palavras, possibilitando várias interpretações. Seus principais representantes são: Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari.
2. Poema-práxis: criado pela dessidência do grupo concretista. A poesia-práxis valoriza cada palavra como um ser atuante, uma fonte, um organismo que gera outras palavras. Surge daí o conceito de "palavra-energia". Os principais autores são Mário Chame, Mauro Gama, Armando Freitas Filho, Ailton Medeiros, José Guilherme Melchior, Camargo Meyer, Lousada Filho, Antônio Carlos Cabral, dentre outros.
3. Poema-processo: textos predominantemente visuais, propondo-se a substituir a palavra por "novas disposições tipográficas", resultando um poema predominante visual, "semiótico", com vários recursos. Os principais autores são: Luis Ângelo Pinto e Moacir Cisne.
4. Poesia social: discordando do radicalismo concretista, surge paralelamente um movimento de denúncia dos problemas e desigualdades sociais do país. Com uma linguagem simples, esses poetas tinham como alvo de suas críticas a Ditadura Militar e a Guerra do Vietnã. Os principais representantes dessa tendência são: Fernando Gullar, Afonso Ávila, Thiago de Mello e Affonso Romano de Sant'Anna.  
5. Poesia marginal: produzida durante a década de 70, era distribuída em bares, cinemas, teatros, revistas alternativas, entre outros meios. Considerada marginal por ser uma produção feita fora do circuito editorial tradicional. Muitas das vezes era o próprio autor que fazia a distribuição de suas obras. É ampla e diversificada. A obra que dá um parâmetro dessa produção é 26 poetas hoje (1976), organizada por Heloísa Buarque de Holanda, que reúne autores como Chacal, Ana Cristina César, Vera Pedrosa, Torquato Neto, Wally Salomão, Roberto Schwartz, entre outros.

Na prosa, destaca-se:

1. Prosa regionalista: retoma a tradição dos romances de 30 e em certos casos, com o engajamento político. Os principais autores são: Mário Palmério, Bernardo Élis, Ariano Suassuna, Márcio Souza, Milton Hatoum, Josué Montello, Dalcídio Jurandir e José Cândido de Carvalho.
2. Prosa política: ferramenta de denúncia política durante a ditadura e conta os problemas sociais do país. Destacam-se Ignácio de Loyola Brandão, Antônio Callado, Ivan Ângelo, Roberto Drummond, Márcio Souza e João Ubaldo Ribeiro.
3. Fantástico: prosa que trabalha com aquilo que é irreal, insólito, mas como metáfora de problemas do cotidiano. Os autores mais conhecidos são: Murilo Rubião, José J. Veiga, Moacyr Scliar e Lygia Fagundes Telles.
4. Prosa urbana: denúncia da realidade da vida das grandes cidades e seus problemas como: a violência, a solidão, o preconceito racial e a prostituição. Os autores mais conhecidos são: Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Luiz Vilela, João Antônio, Ignácio Loyola Brandão, Patrícia Melo e Sérgio Sant'Anna.
5. Prosa intimista - voltada para a sondagem psicológica e a crise existencial do indivíduo. Muitas das vezes o enredo é reduzido para se enfatizar os conflitos internos do personagem. Autores desse tipo de obra são: Lygia Fagundes Telles, Osman Lins, Nélida Piñon, Ivan Ângelo, Bernardo Carvalho, Autran Dourado, Adélia Prado e Raduan Nassar.
6. Prosa autobiográfica ou memorialista: obras feitas a partir de experiências traumáticas dos próprios autores como a ditadura militar, convivência com tribos, prisões ou doenças. Os principais autores são: Marcelo Rubens Paiva, Luis Alberto Mendes, Antônio Callado, Fernando Gabeira, Pedro Nava e Érico Veríssimo.
Vale também destacar as biografias e construções de momentos históricos e culturais também destacados por Rui Castro (que escreveu Chega de Saudade - valorizando a história da Bossa Nova), Ana Miranda (que romanceia a vida de grandes escritores como Gregório de Matos, Clarice Lispector e Gonçalves Dias, imitando os estilos dos mesmos e fazendo um panorama de suas respectivas épocas), Fernando Morais (que escreveu Chatô, o Rei do Brasil, sobre a vida de Assis Chateubriant), entre outros.
7. Romance Reportagem: com influência do New Journalism (tendência a misturar literatura e jornalismo), os autores contam histórias baseadas em fatos verídicos, mas na maioria das vezes, colocam elementos ficcionais. Como destaque, temos José Louzeiro, João Antônio e Agnaldo Silva.
8- Crônicas e contos: dois tipos de textos com grande popularidade, as crônicas e contos chamam sua atenção pela brevidade. Os cronistas mais famosos são Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Stanislaw Ponte Preta, Luís Fernando Veríssimo. Já no conto, quem se destaca é Moacyr Scliar, Dalton Trevisan, Luiz Vilela e Roberto Drummond.

Observação: Vale ainda destacar outros autores contemporâneos de qualidade como: Chico Buarque, André Sant'Anna (filho de Sérgio Sant'Anna), Paulo Leminski, José Paulo Paes, Caio Fernando Abreu, Domingos Pellegrini Jr, Paulo Henriques Brito, Marcelino Freire, Tony Belloto, Jorge Furtado, Adriana Falcão, Daniel Galera, Cristovão Tezza e Clarah Averbuck.     



 Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar para Academia Brasileira de Letras, em 1977.


Referências→ Escola Viva. Programa de Pesquisa e Apoio Escolar. O Tesouro do Estudante. Multimídia Multicolor 2003. Nível Fundamental e Médio. Ensino Global.
Sistema de Ensino IBEP. Apostila Língua Portuguesa. Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura/ Marta Pontes - São Paulo: DCL, 2010.
                      


  

     
  
         
  
     

sábado, 2 de julho de 2016

Literatura Portuguesa - Modernismo

Literatura Portuguesa - Modernismo

A arte do século XX decretou o fim da forma tradicional de representação renascentista. Guernica constitui o protesto de Pablo Picasso contra o bombardeio a essa cidade basca pelos alemães.

Momentos e Autores
a)Primeiro momento: geração da revista Orpheu (1915-1927), introdução de novos padrões artísticos, predomínio da poesia: Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Florbela Espanca, Aquilino Ribeiro.
b) Segundo momento: geração da revista Presença (1927-1940), continuação das ideias da geração anterior, acrescidas de introspeção e análise interior: José Régio, Miguel Torga, Adolfo Casais Monteiro.
c) Terceiro momento: Neo-Realismo (1940-1947), literatura de denúncia social: Alves Redol, Fenando Namora e Virgílio Ferreira.
d) Quarto momento: Surrealismo (1947-1960) - Valorização do inconsciente e do sonho, ruptura com a condenação lógica de ideias: Mário Cesariny Vasconcelos e José Augusto França.
e) Atualidade: (1960-    ) - poesia: ecletismo e influências pessoais; prosa: permanência do Neo-Realismo e prosa intimista. Heberto Helder, Antônio Gedeão, David Mourão-Ferreira, Sophia de Melo Breyner Andresen, Eugênio de Andrade, Augustina Bessa-Luís e José Saramago.

Contexto Histórico
O progresso industrial e os avanço técnico-científicos de final do século XIX e início do XX, invenção do telégrafo, do telefone, do cinema, do avião, da lâmpada, do automóvel, abrem novas perspectivas para a comunicação e produzem na sociedade um estado de intensa euforia. O burguês que viver, bem e confortavelmente, o momento presente. Este é o período da belle époque.
No entanto, esse clima de euforia termina com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Essa guerra assistiu ao surgimento de uma nova era: a contemporaneidade, que se caracterizou pela industrialização (com base na eletricidade, no petróleo e no aço); pelo aparecimento de uma nova potência internacional, os Estados Unidos da América; pelo acirramento das rivalidades internacionais.
Com a revolução russa, de 1917, a classe operária, que sempre fora marginalizada, tomou o poder. Começam então a delinear-se, na década de 20, dois regimes antagônicos: o comunismo e o capitalismo.
A Europa, esfacelada, enfrentava uma séria crise, com algumas monarquias chegando ao fim e com o aparecimento de governos totalitários e anticomunistas na Alemanha (Hitler), na Itália (Mussolini), na Espanha (General Franco) e em Portugal  (Salazar). Enquanto isso  os Estados  Unidos  viviam uma fase de otimismo só interrompida pelo crack (quebra) da Bolsa de Nova York, em 1929, que gerou uma gigantesca onda de desemprego em todo o mundo. 
A partir da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma reorganização geopolítica mundial. Os Estados  Unidos e a União  Soviética firmaram-se como superpotências rivais e instalou-se a Guerra Fria, um confronto entre o bloco socialista e o capitalista sem guerra declarada. Essa  guerra termina quando Mikhail Gorbatchov é eleito presidente da União Soviética, em 1988. Sacudida por conflitos separatistas, em 1991, a URSS deixa de existir, sendo substituída pela Comunidade dos Estados Independentes (CEI).
O século XX foi, também o da conquista espacial e da Terceira Revolução Industrial, caracterizada pelos grandes complexos industriais, empresas multinacionais e pelos avanços da informática.

Vanguarda  Europeia
O início do  século XX reuniu todas as condições para o aparecimento de várias tendências artístico-culturais   às quais se deu o nome de vanguarda europeia: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo.

Futurismo
Movimento estético lançado por Marinetti em 1909, o Futurismo valorizava o futuro, exaltava a vida moderna, cultuava a máquina e a velocidade e pregava a destruição do passado.
Agressivo, encarava a guerra como uma forma de higienizar o mundo e identificava-se  como o  fascismo nascente. Literariamente defendia a liberdade de expressão e a destruição da sintaxe, dos  conectivos e da pontuação, substituindo-a  por símbolos matemáticos e musicais.
Exigia também, o compromisso da literatura com a nova civilização técnica. Esta foi a estética  que mais valorizou o primeiro momento do Modernismo português.

Expressionismo  
Contemporâneo do Futurismo e do Cubismo, o Expressionismo foi um movimento iniciado na Alemanha inspirado em Van Gogh, que se caracterizou pela expressão patética de  intensas  emoções da vida interior (medo, terror, sobressalto, solidão). Suas principais características são: distanciamento da pintura acadêmica, resgate da arte primitiva e uso aleatório das cores intensas.

Cubismo
O Cubismo, resultado de experiências do espanhol Pablo Picasso e do francês Georges Braque em pintura, surgiu em Paris em 1907. Rompendo com a perspectiva, os artistas eliminaram a noção tridimensional e mostraram, monocromaticamente, vários ângulos da figura ao mesmo tempo. Retrataram sempre figuras geométricas que estruturavam todos os objetos representados.
Em literatura, o expoente foi o francês Apollinaire, que reproduziu na poesia os mesmos aspectos das telas de Braque e Picasso: rompeu com o verso tradicional e trabalhou com o espaço branco da folha, prenunciando o Concretismo.

Dadaísmo

O Dadaísmo, fundado na Suíça em 1916 por Tristan Tzara, foi o mais radical movimento da vanguarda. Anarquista, pretendeu destruir todas as formas de artes institucionalizada. Os dadaístas consideravam o processo de criação, guiado pela causalidade e pelo automatismo psíquico, mais importante do  que a obra de arte final. Em literatura, aboliram a lógica e a coerência, afirmando que "a melhor técnica é a ausência de técnica".

Surrealismo

Este  é o último movimento da vanguarda europeia. Em 1924, André Breton lançou o Manifesto Surrealista em Paris, no entanto, só em 1947 o Surrealismo  produz  frutos em Portugal. Influenciado pelas teorias de  Freud, o Surrealismo enfatizava o papel do inconsciente na atividade artística. Suas características são: liberação do inconsciente, sondagem do mundo  interior, valorização do sonho, busca do homem primitivo, ainda não corrompido pela sociedade. Na tentativa da descoberta desse homem, muitas  vezes recorriam à magia, ao ocultismo, à alquimia medieval. Observe esses  elementos em  A Tentação de  Santo Antônio de Salvador Dali, um dos mais importantes  representantes do Surrealismo.

Teixeira de Pascoaes (1877-1952)

Esse era o pseudônimo de Joaquim Teixeira de Vasconcelos, poeta que estabeleceu as bases de uma filosofia autenticamente lusitana, o Saudosismo, com a qual começou, a rigor, o Modernismo português. Nacionalismo arraigado e visionário e esperança messiânica são a tônica de sua poesia, em que fazem sentir as  influências de Antero e João de Deus.

Mário de Sá Carneiro (1890-1916)

Mário de Sá  Carneiro ao lado de Fernando Pessoa e Almada Negreiros entre outros, fundou a revista Orpheu. Ele financiou seus dois únicos números. Nele vida e obra confundem-se. Em ambas há o sentimento de inadaptação ao mundo, que se revela pela desintegração do "eu". Em prosa, Sá Carneiro escreveu Princípio, Céu em fogo, A Comissão de Lúcio; em poesia, Dispersão e Indícios de Ouro. O poeta  suicidou-se em Paris.           

Fernando Pessoa (1888-1935)

Órfão aos cinco anos,  Fernando Pessoa foi levado pela  mãe  e pelo padrasto para a África do Sul, onde estudou até 1905, quando retornou a Portugal. Colaborou na revista A Águia, fundou e foi diretor da Orpheu. Só uma de suas obras em Português, foi publicada em vida: Mensagem, ganhadora do segundo prêmio num concurso oficial de poesia, em 1934.
Fernando Pessoa é a figura mais importante do Modernismo em função da obra, peculiaríssima, na qual se desdobra em três heterônimos principais: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, além de escrever como Fernando Pessoa. Já se disse que sua obra se corresponde a uma literatura inteira, pois cada um dos heterônimos têm um estilo e uma atitude que os distinguem.

Florbela Espanca (1894-1930)

É considerada a mais importante poetisa do Modernismo. Sua poesia revela uma delicada trabalhadora do verso e uma sensualista, pelo erotismo, pela exaltação dos sentimentos e dos prazeres, pelo mergulho na paixão. Suas principais obras são: Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade, Charneca em Flor.

Aquilino Ribeiro (1885-1963)

Destaca-se pela pesquisa estilística, nele as palavras servem menos para significar do que para impressionar. O melhor de sua obra está na novela "O Malhadinhas", que faz parte do livro Estrada de Santiago. Em seus romances defendeu o homem rústico sempre oprimido, por isso abriu espaço para o Neo-Realismo que se iniciaria em 1940.  

José Régio (1901-1940)

Esse é o pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, um dos fundadores da revista Presença. O  centro de sua obra, sobretudo a poética, é o conflito entre o bem e o mal. Deus e o Diabo, o relativo e o absoluto. Em O jogo da cabra-cega, seu romance mais importante, a audácia de suas cenas erótico sacrílegas fez com que o livro fosse tirado de circulação em sua primeira edição.

O Neo-Realismo

Insurgindo-se contra o "psicologismo" da geração presencista, os neo-realistas fizeram uma literatura voltada para o exterior, para a denúncia social. A Guerra Civil espanhola, o advento do nazismo, a crise econômica mundial e a  repressão portuguesa ao sindicalismo contribuíram para o engajamento dos escritores neo-realistas. Eles foram influenciados pela literatura norte-americana da época e pelos escritores regionalistas brasileiros (José Luís do Rego, Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz). A obra introdutora da nova tendência foi o romance Gaibéus, de Alves Redol. No entanto, os romances A Selva e Emigrantes, de Ferreira de Castro, ambos ambientados na selva amazônica onde o autor trabalhara como seringueiro, já havia prenunciado na década de 30, o Neo-Realismo.

Antônio Alves Redol (1911-1969)    

Introduziu o Neo-Realismo com um romance que conta a vida injustiçada e sofrida dos Gaibéus, modestos camponeses do Ribatejo.

Fernando Namora (1919-1989) 

Também fez crítica social, mas tendeu para um realismo psicológico, para a análise comportamental das personagens. Seu romance mais importante é o homem disfarçado.

Vergílio Ferreira (1916-1996)

Mesclou, em sua obra, Neo-Realismo com preocupações metafísicas. Escreveu Manhã Submersa e Aparição, entre outras obras.

O Surrealismo

Em 1947, apareceram grupos que se insurgiram contra os neo-realistas e recolocaram o eu profundo do artista em primeiro plano: os surrealistas. Eles produziram poesia que revela, por maio da linguagem automática, um mundo inconsciente e onírico. Em 1949, ralizou-se em Lisboa a Exposição Surrelista, que reuniu pintores, poetas e intelectuais (influenciados pelas teorias de André Breton, líder do Surrealismo francês) e que escandalizou a sociedade burguesa.

Atualidade

Na poesia, predomina o ecletismo (poesia espiritual e poesia de caráter social) ao lado de influências pessoanas.
Destacam-se Herberto Helder, Antônio Gedeão, David Mourão Ferreira, Sophia de Melo Breyner Andresen e Eugênio de Andrade. 

Na prosa, a influência do Neo-Realismo alterna-se com a prosa intimista. Nela sobressaem:

a) Augustina Bessa Luís: após a publicação de A Sibila, tem sido considerada o segundo milagre do século XX depois de Fernando Pessoa, tal a contribuição original que deu a obra portuguesa. Em seus romances, as personagens se reduzem a símbolos mitológicos e tempos e espaços interseccionam-se;

b) José Saramago: escreveu romances históricos fantásticos-realistas em que, num tom oral, usa a paródia, um fraseado continuamente irônico e pontuação personalíssima. A intertextualidade está presente quando dialoga com outros textos da literatura ou personagens de outras obras. Algumas de suas obras são: O Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis e História do Cerco de Lisboa.     

O Modernismo em Portugal

CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL
No começo do século XX, o progresso tecnológico, as disputas das grandes potências por mercados de consumo, os movimentos políticos nacionalistas e a Primeira Guerra Mundial provocaram profundas transformações na sociedade europeia, atingindo, como não poderia deixar de ser, as artes em geral e a aneira de se olhar o novo cenário que se impunha. Surgem então, na Europa, várias manifestações artísticas, sob a dominação genérica da corrente de vanguarda. Esses diferentes movimentos tinham ▬ além do ismo em seus nomes ▬ posições comuns em relação às artes: liberdade, interpretação pessoal da realidade, rebeldia, ilogicidade, busca de novas formas de expressão, etc.

O Modernismo em Portugal 
O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação, em 1915, da revista Orpheu, que reunia, entre outros, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros. A sociedade portuguesa vivia uma situação de crise aguda e desagregação de valores. Os modernistas portugueses respondem a esse momento, agredindo o sistema com escândalo e sarcasmo.

Fernando Pessoa (1888-1935)
Fernando Antônio Nogueira de Seabra Pessoa nasceu em Lisboa, em 1888.
Foi um dos maiores escritores de Portugal e um dos mais fascinantes poetas de todos os tempos.
Seus temas são frequentementes marcados pelo idealismo, ceticismo, tristeza, melancolia, tédio. Entretanto, um dos aspectos mais marcantes deste poeta são seus heterônimos, isto é, outros poetas que ele criou, como se existissem verdadeiramente.
Seus principais heterônimos são: Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos. Fernando Pessoa, no entanto, continuou "existindo" como Fernando Pessoa ele-mesmo ou Fernando Pessoa ortônimo.
Obras: Cancioneiro, Quadras ao gosto popular, e sua importante obra poética Mensagem (inicialmente chamada Portugal) em que retoma de forma nacionalista e saudosista, a história de Portugal.

Alberto Caeiro 
Teria nascido em Lisboa, em 1889 e  ai morrido, em 1915 de tuberculose. Só teria recebido a instrução primária. Era um homem simples, ingênuo. Preocupava-se apenas com o cotidiano, as coisas concretas e com aquilo que conseguia perceber pelos sentidos.
Daí a simplicidade de seu vocabulário e de sua linguagem.

Ricardo Reis
Ricardo Reis teria nascido na cidade de Porto, em 1887 e estudado em escola religiosa, diplomando-se em medicina. Morou uns tempos no Brasil. Era monarquista e estudioso do latim e do grego, o que contribuiu para sua formação clássica.

Álvaro de Campos
Álvaro de Campos teria nascido em Tavira em 1890.
Apresenta-se como um poeta futurista, sensualista, que canta a "fúria e as vertingens da civilização mecânica", as fábricas, as técnicas, as máquinas, a velocidade. Socialmente desajustado, vive à margem das convenções e regras sociais.

Agora, conheça um célebre poema de Fernando Pessoa: (Alberto Caeiro) 

O Rio da Minha Aldeia
O tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o tejo não é mais belo do que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que veem tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia.
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, poque pertence a menos gente,
É mais livre e menos o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


Alberto Caeiro. In: Fernando Pessoa. Obra Poética. Nova Aguilar.

Modernismo (1915 - até hoje)

O Modernismo português iniciou-se com a publicação, em 1915, da revista Orpheu, organizada por Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa. A intensão dessa revista era questionar os valores burgueses, relacionar a poesia e propagar uma nova arte. O Modernismo em Português é subdividido em algumas fases: 
1915-1927: influências futuristas propostas pela revista "Orpheu".
1927-1940: Influencias da revista "Presença", que continuava as propostas da Orpheu.
1940-1947: Neo-Realismo, literatura socialmente engajada.
1947-1974: literatura influenciada pelo surrealismo.
1974 até hoje: contemporâneo, após o período salazariano, dando destaque à prosa.
Autores mais significativos: Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Florbela Espanca, Aquilino Ribeiro, José Régio, Miguel Jorge, Antônio Botto, Irene Lisboa, Ferreira de Castro, Miguel Torga, Manuel de Fonseca, José Saramago, Lídia de Castro, Antônio Lobo Antunes, Augustina Bessa-Luís, Antônio Gedeão, entre outros. 



Todas as Cartas de Amor

Todas as cartas de amor são 
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se 
não fossem 
Ridículas.

Também escrevi em meu 
tempo cartas de amor,
Como as outras, 
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser 
ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca 
escreveram
Cartas de amor
É que são 
Ridículas.

Quem me dera no tempo em 
que escrevia
Sem dar por isso 
cartas de amor 
Ridículas.

A verdade é que hoje 
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são 
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21/10/1935


 Fernando Pessoa, um dos fundadores e também um dos principais poetas do Modernismo português.


Referências→ Escola Viva. Programa de Pesquisa e Apoio Escolar. Multimídia Multicolor 2003. Nível Fundamental e Médio. Ensino Global.
Sistema de Ensino IBEP. Apostila Língua Portuguesa. Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura / Marta Pontes - São Paulo: DCL, 2010.



        

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Literatura Brasileira - Pré-Modernismo

Literatura Brasileira - Pré-Modernismo

O Pré-Modernismo iniciou-se em 1902 com a publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha e Canaã, de Graça Aranha e terminou em 1922, com a Semana de Arte Moderna. Menos do que uma nova estética literária, ele representou o momento de transição e de preparação para a fase de emancipação da literatura brasileira, o Modernismo. O Pré-Modernismo, que conviveu com o Simbolismo e o Parnasianismo, denunciou os problemas de nossa realidade social e cultural.
Manifestações Artísticas
No Brasil o ecletismo acadêmico (filiação simultânea e várias escolas) vigorou em pintura no período em que se situa entre o esgotamento das propostas iniciadas com a instalação da Academia Imperial e o Modernismo.
Em 1915, Lasar Segall fez a primeira exposição de arte moderna, seguido por Anita Malfatti, que em 1917, expôs seus quadros para mostrar o que aprendera com mestres expressionistas alemães e norte-americanos.
No artigo "Paranoia ou Mistificação"?, Monteiro Lobato criticou violentamente a mostra e provocou enorme polêmica, que seria a fermentação para a Semana de Arte Moderna. 
Na música, compositores brasileiros com formação erudita, como Alberto Nepomuceno, utilizam temas do folclore brasileiro. Na música popular o choro, o maxixe, a modinha e o samba substituem a polca, o tango e a valsa nos salões. São importantes compositores do período Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga, autora da primeira marcha carnavalesca, Ô Abre Alas, em 1899.
Características
O Pré-Modernismo oscilou entre:
a) produção conservadora: com características realistas/naturalistas, na prosa, e parnasiano-simbolistas, na poesia;
b) produção inovadora: na prosa, interesses por problemas da época, para denunciar desiquilíbrios sociais. Na prosa, inovação na linguagem, que se aproxima do coloquial e na utilização de tipos humanos marginalizados. Na poesia, Augusto dos Anjos usa palavras antipoéticas, que insultam a sensibilidade parnasiana.
Produção Literária
Euclides da Cunha (1866-1909)
Cunha (Euclides da) ▬ Escritor brasileiro, nasceu em 20 de janeiro de 1866, na cidade de Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro. Positivista e republicano. Ao irromper o movimento de Canudos, chefiado por Antônio Conselheiro, Euclides da Cunha foi encarregado pelo jornal "O Estado de S. Paulo" de fazer a cobertura jornalística dos acontecimentos. Chega ao teatro da luta em 1º de Outubro de 1897 e assiste aos últimos dias de combate. Euclides da Cunha praticamente escreveu um livro "Os Sertões", já que todos os outros são coleções de artigos escritos para o jornal. Seu livro, "Os Sertões", é uma obra formidável, uma obra de fôlego e a beleza da obra vem da tragédia da realidade, do contato do homem e a terra. Essa obra ainda fixa um momento importante de nossa evolução literária. Euclides da Cunha morreu assinado no Rio de Janeiro, em 15 de Agosto de 1909. 

Lima Barreto (1881-1922)
Barreto (Lima) ▬ Afonso Henrique de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro a 13 de Maio de 1881. Começou a escrever em 1904, quando apareceu a primeira versão de "Clara dos Anjos". No ano seguinte, começou a redigir "Recomendações do Escrivão Isaias Caminha" e logo depois, "Vida e Morte de M. J. Gonzaga e Sá", "Triste Fim de Policarpo Quaresma", "Numa e Ninfa", "Histórias e Sonhos" e outras. Lima Barreto faleceu a 1º de Novembro de 1922.

Monteiro Lobato (1882-1948)
Lobato (José Bento Monteiro) ▬ Nasceu no 18 de Abril de 1822, em Taubaté, no estado de São Paulo. A data do seu nascimento é considerada hoje como o Dia Nacional do Livro Infantil. Monteiro Lobato foi antes de tudo, o grande amigo das crianças. Pela obra grandiosa que realizou no setor da literatura infantil, da qual foi a figura mais importante no País, pela sua atuação no campo da indústria e no comércio do livro, pela corajosa campanha empreendida no sentido de dar ao Brasil petróleo e indústria siderúrgica, Monteiro Lobato merece toda a gratidão do povo brasileiro. Apesar de formado em Direito, dedicou-se mais à carreira literária. Sua glória como escritor surgiu ao lançar, em 1918, o seu primeiro livro "Urupês". Em 1921, Lobato penetrou no mundo do "faz-de-conta". A princípio, rabiscou algumas historietas. De repente, saiu de sua mente a maravilhosa saga infantil do Sítio do Pica-pau Amarelo. Jeca Tatu, sua criação, é até hoje o símbolo do caboclo sem cultura e indolente do interior do Brasil. Esse personagem mostra o estado de apatia do caipira, sempre com fundo patalógico. Monteiro Lobato faleceu no dia 04 de Julho de 1948.

Graça Aranha (1868-1931)       
Seu romance Canaã, publicado em 1902, é resultado das observações de uma colônia de imigrantes alemães no Espírito Santo. É ainda um romance de tese que gira em torno de dois alemães que discutem sobre o futuro do país.
Graça Aranha foi o único dos pré-modernistas que participou ativamente da Semana de Arte Moderna, ele proferiu o discurso inaugural no dia 13 de Fevereiro de 1922.

Augusto dos Anjos (1884-1914)
Anjos (Augusto de Carvalho Rodrigues dos) ▬ Poeta brasileiro. Nasceu no engenho do Pau D'arco, no estado da Paraíba, em 20 de Abril de 1884. Formado em Direito pela Faculdade do Recife. Em 1910, Augusto dos Anjos transferiu-se para o Rio de Janeiro. Em 1912 publicou o seu famoso livro "Eu". Augusto dos Anjos faleceu a 14 de Novembro de 1914, na cidade de Leopoldina, Minas Gerais, onde exercia o cargo de promotor e onde foi sepultado.

Pré-Modernismo (1902-1922)
CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL
Nas duas primeiras décadas do século XX ocorreram várias transformações sociais, resultantes do acentuado processo de urbanização, da vinda de grandes contingentes de imigrantes e do deslocamento ou da marginalização dos antigos escravos.
Surgiram agitações sociais e os primeiros movimentos grevistas em São Paulo, em 1917. Nesse quadro de graves desiquilíbrios sociais, os escritores passaram a expor uma visão crítica dos problemas brasileiros.

PRINCIPAIS AUTORES DO PRÉ-MODERNISMO 
• Euclides da Cunha - em sua obra mais importante, Os Sertões, expõe os problemas do homem do sertão e a existência de vários Brasis ainda não descobertos.
Graça Aranha - em Canaã, exprime sua visão pessimista do homem brasileiro, abordando os problemas dos imigrantes europeus, especialmente dos alemães.
Lima Barreto - sua obra trata de temas como: a cidade do Rio de Janeiro e seus operários, o mulato, os moradores dos subúrbios e das favelas.
Escreveu Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Numa e Ninfa e Clara dos Anjos. Este romance aborda um sonho de um patriota exaltado ao mesmo tempo que apresenta uma sátira impiedosa e bem-humorada do Brasil oficial.
Monteiro Lobato - preocupado com o progresso do Brasil, faz reflexões sobre os problemas brasileiros, como a saúde, a instrução, a situação do caboclo, etc. Escreveu dentre muitas obras, Cidades Mortas, Urupês, O escândalo do petróleo. Deixou-nos também uma extensa obra infantil, de natureza moralista, cujos enredos se passam no Sítio do Pica-pau Amarelo.

Outros autores de destaque desse período:
Raul de Leoni
Oliveira Viana
Afonso Arinos
Coelho Neto
Carlos de Laet
Nestor Vítor
Alberto Torres
Valdomiro Silveira
Alcides Maia
Augusto dos Anjos
Farias Brito
João Simões Lopes Neto
Afrânio Peixoto
Hugo de Carvalho Ramos 
Jackson de Figueiredo 

PRÉ-MODERNISMO (1902-1922)
O Pré-Modernismo para muitos críticos, não é considerado um período literário propriamente dito, sendo apenas uma ponte, uma fase de transição entre as escolas parnasiana e simbolista para o Modernismo. Essa constatação se dá pelo fato das autores terem mais diferenças do que semelhanças (o que caracterizaria uma escola ou um período literário) em suas obras, seja nos temas, nas ideologias e em sua linguagem, que oscila entre o simples e o rebuscado, e não se encaixavam também dentro da produção parnasiana ou simbolista. Em comum, os pré-modernistas teriam preocupação com a denúncia das mazelas do nosso país.
No período pré-modernista, historicamente, muita coisa acontecia: a instalação e consolidação do regime republicano com a República da Espada (1889-1894); a República Café-com-Leite; a vinda de imigrantes, especialmente italianos, para substituir a mão de obra escrava nas lavouras de café, a urbanização de São Paulo; na Bahia ocorreu a Revolta de Canudos; em Pernambuco, aparecem os cangaceiros de Lampião; no Rio de Janeiro, a Revolta da Vacina e a Revolta da Chibata. Os pré-modernistas denunciavam os problemas sociais e apontavam esses vários "Brasis" dentro de um só.
As duas obras iniciais do Pré-Modernismo foram Os Sertões, de Euclides da Cunha e Canaã, de Graça Aranha, ambas publicas em 1902. Os principais autores do Pré-Modernismo na prosa são Euclides da Cunha, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Lima Barreto. Na poesia, temos a figura de Augusto dos Anjos. 



 Monteiro Lobato, no seu dia 18 de Abril, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil.



Referências→ Escola Viva. Programa de Pesquisa e Apoio Escolar. O Tesouro do Estudante. Multimídia Multicolor 2003. Nível Fundamental e Médio. Ensino Global.
Sistema de Ensino IBEP. Apostila Língua Portuguesa. Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes Marta. Minimanual de Redação e Literatura / Marta Pontes - São Paulo: DCL, 2010.





sexta-feira, 17 de junho de 2016

Literatura Brasileira - Simbolismo

Literatura Brasileira - Simbolismo

Simbolismo
O Simbolismo iniciou-se em 1893 com Missal (prosa) e Broquéis (poesia), dois livros de Cruz e Sousa, e terminou, teoricamente,  em  1922 com a Semana de Arte Moderna, que  inaugurou  uma literatura autenticamente brasileira, cem anos depois de nossa independência política. No entanto, (como  já  dissemos), tanto o Simbolismo,  quanto o Parnasianismo,  sobreviveram ao divisor de águas, que foi a Semana, e conviveram com o Pré-Modernismo.

Manifestações Artísticas
O Impressionismo, na pintura, correspondeu ao  Simbolismo Literário. Importava para seus pintores mais o efeito geral, a sugestão do que a representação  nítida do  objeto. Em pinceladas   rápidas, eles queriam captar o  instante e os efeitos da luz.
A música, abandono a temática épica do Romantismo,  inspirou-se no extremo oriente e valorizou a sonoridade dos instrumentos e os jogos harmônicos. Claude Debussy foi o seu maior representante.
No Brasil, a influência impressionista revela-se em algumas obras de Eliseo Visconte como Esperança.

Literatura
O Simbolismo surgiu como reação à objetividade e descritivismo parnasianos. Entre nós, no entanto, foi abafado pela produção parnasiana que correspondia mais intensamente aos anseios da burguesia em ascensão.
A confiança ilimitada  na ciência, sucederam um descrédito e um desânimo sem  formas definida; ao racionalismo e ao materialismo, a valorização da intuição e as manifestações estaduais e metafísicas.

Características
O  Simbolismo caracteriza-se pela musicalidade dos versos, pela criação de uma  atmosfera de mistério e pela sugestão (para seus poetas, as palavras deveriam sugerir, evocar, não definir nem descrever como faziam os parnasianos).
a) musicalidade: o simbolista francês Paul Verlaine decreta "de la musique  avant toute chose" (música antes de qualquer coisa) e essa foi a característica mais perseguida  por todos.
Para conseguir esse efeito, usavam repetições,  aliterações, inovações métricas.
b) mistério: o uso de vocábulo litúrgico e os adjetivos de significação vaga e imprecisa enfatizam a atmosfera de mistério da maioria dos textos simbolistas.
c) sugestão: as metáforas polivalentes (os símbolos) e as analogias sensorias (sinestesias) sugerem estados d'alma e representam um mergulho no caso do inconsciente do poeta.

Produção Literária
Cruz e Sousa (1861-1898)
Catarinense de Florianópolis, Cruz e Sousa nasceu escravo, mas, criado pelo senhor, frequentou boas escolas. Vítima de preconceito racial, foi para o Rio de Janeiro, onde se empregou na Estrada de Ferro Central do Brasil. Casou-se, mas os filhos morreram, sua mulher enlouqueceu e ele morreu tuberculoso. Passou seus últimos dias numa cidadezinha de Minas Gerais, de onde seu corpo foi transportado num vagão para o Rio de Janeiro. O professor francês Roger Bastide considerou-o um dos três grandes simbolistas, ao lado de Mallarmé e Stefan George.

Afonso de Guimarães (1870-1921)
Na obra de Afonso Henriques da Costa Guimarães, o tema constante é a morte da mulher amada ao qual os outros, natureza, religião e arte se relacionam. Influenciado pelo poeta francês Verlaine, Afonso privilegia a camada sonora do signo, trabalhando as aliterações, onomatopeias, repetições. Em versos simples manifesta uma constante manifestação mística atestada, também em seus poemas dedicados à Virgem Maria em Setenário das Dores de Nossa Senhora. "Ismália" é um de seus poemas mais conhecidos.

Simbolismo (1893-1902)
CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL

Como afirma Massaud Moisés, "O Simbolismo é antes de tudo, antipositivista, antinaturalista e anticentificista".
Trazido da França, onde o poeta Baudelaire havia publicado Flores do Mal, em 1857, inaugurando a nova estética, o Simbolismo teve origem em Portugal com a publicação de Oaristos (1890), de Eugênio de Castro e no Brasil com as publicações dos livros Missal (prosa) e Broquéis (poesia) em 1893 de Cruz e Sousa.
Os simbolistas procuraram expressar de maneira subjetiva o mundo do inconsciente, do vago, do nebuloso, da ilusão, do caos, do ilógico e do mistério.

CARACTERÍSTICAS DO SIMBOLISMO
1. Temas mais frequentes
Mistérios da vida, mistérios da morte, religião, existência de Deus, misticismo, a solidão, a ilusão, o vago, o oculto, o sobrenatural.
2.Preocupação com a forma
A forma era mais importante que o conteúdo, isto é, os simbolistas se preocupavam mais com a escolha e beleza das palavras do que com as ideias. A linguagem dos simbolistas era colorida, poética, exótica, com ritmo. Realçavam palavras com inicial maiúscula.
3. Musicalidade
Os simbolistas davam grande ênfase ao valor musical das palavras. Aparecem com frequência vocábulos sonoros, onomatopeias e aliterações.

Vozes veladas, veludosas vozes.
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas vãs, vulcanizadas.


Cruz e Sousa, Violões que choram.

Veladas: dissiminadas.
Volúpia: grande prazer.
Vórtice: redemoinho.
Vulcanizadas: inflamadas.


4. Utilização de palavras polivalentes, ambíguas, ou de duplo sentido.
5. Linguagem indireta. O poeta refere-se a um objeto sem dizer seu nome.
PRINCIPAIS AUTORES SIMBOLISTAS
Em Portugal
Eugênio de Castro, Antônio Nobre, Camilo Pessanha.
No Brasil
Cruz e Sousa, Emiliano Perneta, Alphonsus de Guimaraens, Augusto dos Anjos e Raul de Leoni.

Agora leia com atenção o soneto "Ao Cair da Tarde", de Emiliano Perneta e observe que o poeta não aborda o tema da velhice e da morte, mas apenas o sugere, por meio de palavras e expressões que simbolizam o mesmo assunto.

AO CAIR DA TARDE
Agora nada mais. Tudo silêncio, tudo.
Esses claros jardins com flores de giesta.
Esse parque real, esse palácio em festa,
Dormindo à sombra de um silêncio surdo e mudo...

Nem rosas, nem luar, nem damas... Não me iludo
A mocidade aí vem, que ruge e que protesta.
Invasora brutal. E a nós que mais nos resta.
Senão ceder-lhe a espada e o manto de veludo?

Sim, que nos resta mais? Já não fulge e não arde
O sol! E no covil negro desse abandono.
Eu sinto o coração tremer como um covarde!

Para que mais viver, folhas tristes de outono?
Cerra-me os olhos, pois, Senhor. É muito tarde.
São horas de dormir o derradeiro sono.

Simbolismo (1893 -1902)
A segunda metade do século XIX foi marcada por um período de crise e várias transformações. Uma das grandes crises mais fortes desse período foi a Grande Depressão (1873-1896), que retardou o desenvolvimento econômico e científico da Europa.
Como o materialismo positivista e o racionalismo não deram ao homem todas as respostas, mostrando que as crises parecem ser, em primeiro momento, insolúveis, era necessário buscar no misticismo, a transcendência as explicações dos conflitos. Nesse momento surge o simbolismo.
Apoiados nas teorias freudianas do inconsciente e subconsciente, os simbolistas queriam uma arte de conhecimento e culto do próprio "eu", rejeitando assim a realidade e o mundo material. Logo usariam também uma linguagem sugestiva, que ampliaria as possibilidades de se conhecer o mundo e as coisas. O lema simbolista era: "sugerir, não nomear", pois a sugestão, ou seja, trabalhar os símbolos, poderia trazer um conhecimento e ampliação das várias possibilidades de conhecimento do mundo e dos objetos, diferente da nomeação das coisas, que acabam limitando as formas de se ver o mundo concreto. Seria como trabalhar o concreto por meio do abstrato.    
As principais características do Simbolismo são: o misticismo, a forte musicalidade (o uso de aliterações, paranomásias, assonâncias, entre outras), abuso de várias imagens noturnas, a solidão e o isolamento (simbolizados pela torre de marfim), a transcendência, subjetividade forte. Além disso, é muito comum no Simbolismo o uso das Sinestesias, que seria a relação e a aproximação entre dois sentidos diferentes como a visão e o olfato, por exemplo. 
O Simbolismo no Brasil se inicia com dois livros de Cruz e Sousa Missal e Broquéis, em 1893. Os principais escritores simbolistas são: Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens e o ainda pouco estudado Pedro Kilberry.   


 Segundo o professor francês Bastide, Cruz e Sousa é um dos 3 grandes poetas simbolistas.


Referências→ Escola Viva. Programa de Pesquisa e Apoio Escolar. O Tesouro do Estudante. Multimídia Multicolor 2003. Nível Fundamental e Médio. Ensino Global.
Sistema de Ensino Ibep. Apostila Língua Portuguesa. Antônio de Siqueira e Silva• Rafael Bertolin
Pontes, Marta. Minimanual de Redação e Literatura/ Marta Pontes - São Paulo: DCL 2010.